Argos já era omnichannel antes de inventarem o termo

IMG_20180504_121459409

A Argos é uma varejista britânica de catálogos que opera no Reino Unido e na Irlanda, e hoje é uma subsidiária da Sainsbury’s desde 2016. A empresa comercializa tanto em lojas físicas, quanto online, com mais de 845 lojas de varejo, recebe 29 milhões de clientes por ano nas lojas físicas e quase um bilhão de visitantes online por ano, sendo hoje um dos maiores varejistas de rua do Reino Unido. Foi fundada em 13 de novembro de 1972, por Richard Tompkins e, curiosamente já pertenceu à BAT (Souza Cruz, Brasil).

A foto acima mostra uma loja de rua e a outra aqui em baixo, no corredor de entrada de um supermercado Sainsbury’s.

IMG_20180504_142636362

 

O mais interessante é que essas 845 lojas praticamente não têm estoque. Funcionam como pontos de pedido nos quais o cliente folheia catálogos ou acessa tablets para encomendar a mercadoria que vai ser entregue na sua casa depois. Itens menores, como celulares, por exemplo, poderão estar disponíveis para levar na hora, mas geladeiras, fogões e big tickets em geral, tipicamente serão entregues na casa do cliente depois.

Catálogos para consulta na loja

IMG_20180504_120907198_HDR

Recentemente iniciaram vendas com tablets

Interessante também é que nas lojas não há exposição de produtos. Os que estão disponíveis para levar ficam no estoque, bem guardados e escondidinhos. Veja na foto a seguir o balcão de atendimento dos clientes (que esperam em fila única) e, ao fundo, à direita, o estoque da loja.

IMG_20180504_121413233

 

IMG_20180504_121120085Comprando até 18h00, a entrega de certos produtos pode acontecer até 22h00.

 

 

 

 

A vida difícil dos lançadores de novos produtos

Imagem

A vida não é fácil para quem quer lançar produtos novos. Em um comparativo entre os anos de 2011 e 2012, a Nielsen* informa que houve 20.220 novos produtos lançados e outros 16.600 descontinuados. O saldo final é de 3.620 itens. Realmente a gôndola não é elástica e a vida dos inovadores é complicada. A Nielsen informa também que só 5,4% dos lançamentos atingem maior participação que a média dos itens nas categorias a que pertencem. Ou seja, além de ser difícil se manter no mercado, conseguir sucesso expressivo é ainda mais complicado e raro.

Resta saber o quão inovadores mesmo eram esses produtos e quanto dessa inovação não foi feita “por obrigação”, para mostrar serviço. Sempre achei que é melhor cuidar bem do que já temos do que ficar inventando muita história. Não é que seja contra a inovação, muito pelo contrário, mas certos sabores, embalagens e segmentações são tão exóticos que nem consigo imaginar como passaram nos testes de produto. Bem, mas todo mundo tem direito ao seu momento “New Coke” na vida.

Bom Marketing!

 

*Fonte: Mudanças no Mercado Brasileiro 2013 – apresentação em evento da AMIS, abril 2013