Hortifruti sempre mandando bem

Hortifruti

Uma vez fui contratado por um grande jornal para pesquisar junto a varejistas de médio e pequeno porte o que eles poderiam fazer para conseguir mais anúncios desses potenciais clientes. A resposta foi clara: esse tipo de varejista não quer falar com a cidade toda, quer falar com a área de influência de suas lojas. O jornal deveria desenvolver produtos que levassem anúncios a áreas específicas da cidade, a áreas que o varejista anunciante pudesse escolher. Claro que com a mentalidade de mídia de massa nada foi implantado e hoje só vemos grandes redes anunciando em jornais.

Bem, as mídias mudaram, a concorrência se acirrou e hoje vemos jornais de distribuição gratuita ganhando um grande espaço. O Metro é um deles, sempre distribuído em grandes cruzamentos da cidade.

Hoje vi uma ação do Hortifruti, operacionalizada pelo Metro que me deixou feliz. Feliz pela adequação da estratégia ao posicionamento e às características de vizinhança que o negócio tem. Nos cruzamentos de Moema, onde o jornal Metro usualmente não é distribuído, as pessoas recebiam o kit da foto acima: o jornal encartado no material promocional do Hortifruti e uma maçã, nessa simpática caixinha. A maçã vinha com uma etiqueta, da Unifrutti, que deve ter ajudado a pagar a conta.

Sabe quantas lojas o Hortifruti tem em São Paulo? Três. Moema, Itaim e Paraíso. Não é demais?

 

 


A Hortifruti opera 29 lojas no Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.Segue um proposta de comunicação baseada em vida saudável. Faturou R$ 781,4 milhões em 2013. Procure suas campanhas no Youtube – são muito criativas, mas sem perder o foco.

Agora a queda da confiança do consumidor chegou forte ao varejo

Confiança x PMC

Durante os últimos dez anos o desempenho do varejo parecia imune (ou muito pouco afetado) pela confiança do consumidor. Episódios como o escândalo do mensalão em 2005 ou a crise de 2008 tinham pouco efeito no varejo. A confiança caia, mas as vendas continuavam. Marolinhas.

Agora parece que a coisa pegou mesmo. A partir do começo deste ano a confiança despencou e, com ela, as vendas do varejo. Acompanhe no gráfico acima como as coisas se complicam a partir de janeiro de 2014. A nuvem escura está sobre nossas cabeças. Quando os efeitos chegarem ao emprego, aí é que o varejo vai sentir mesmo.

Observações:
O quadro fica pior se considerarmos o varejo ampliado, que inclui automóveis e não está representado no gráfico.
Os dados de confiança são para a cidade de São Paulo somente, por falta de um dado nacional à mão agora.
A correlação do ICEA com a PMC é de 57% no período analisado.

NRF 2012: novos aprendizados e velhas constatações (3/7)

Conforme prometido ema postagens anteriores, segue a continuação das minhas impressões sobre a convenção da NRF (National Retail Federation), na sua edição 101, que aconteceu enre 15 e 18 de janeiro de 2012. Lembro que dividi minhas impressões gerais em 7 postagens, conforme abaixo:

  • Interdependência e globalização (já publicada em 1/3/2012)
  • Brasil, a bola da vez  (já publicada em 5/3/2012)
  • Capitalismo consciente (essa aqui que você está lendo)
  • Sustentabilidade
  • Techo-commerce
  • O papel da loja física
  • Velhas constatações, uma espécie de resumo do aprendizado das 12 últimas NRF´s que frequentei.

Boa leitura!

Capitalismo consciente

Talvez uma possível resposta à necessidade de reformas que os países desenvolvidos precisem fazer, pela primeira vez na NRF se tratou em uma Super Session do tema “capitalismo consciente”. De forma resumida, o capitalismo consciente vai contra o pensamento de Milton Friedman, que pressupõe que a empresa deve ser orientada para deixar o acionista feliz. Sem esquecer o acionista, essa nova forma de pensar considera também os demais “stakeholders”, incluindo funcionários, clientes, fornecedores e a comunidade em geral como merecedores dessa felicidade. O negócio, portanto, deve ser olhado de uma forma mais ampla, na qual as marcas devem ter um propósito, uma cultura concreta, liderança consciente e serem orientadas para todos os “stakeholders”.

E essa forma de encarar o negócio dá resultados. Segundo estudo de Wharton, as empresas listadas na bolsa de Nova York (S&P 500) que seguem os princípios do capitalismo consciente geram nove vezes mais lucro que as tradicionais.

Na convenção da NRF desse ano dois exemplos marcantes de varejistas mais conscientes foram o Whole Foods e a The Container Store. O CEO do primeiro, conhecida rede de supermercados orgânicos, Walter Robb, afirmou: “Queremos mudar a forma como o mundo come e promover a saúde. Queremos mudar o modelo de agrícola para construir um mundo sustentável”.

Já Kip Tindell, presidente da The Container Store, uma rede artigos diversos para organização do lar, com cerca de 40 lojas, vendas de US$ 650 milhões por ano, 4.000 empregados e presente da lista da revista Fortune das “100 Melhores Empresas para Tabalhar ” seguidamente nos últimos doze anos afirmou: “Esse modelo (o tradicional) não funciona mais. A empresa que faz o funcionário feliz, deixa o cliente feliz. Se eles estiverem felizes, os acionistas estarão. Capitalismo consciente pode mudar o mundo”.

Uma fala diferente, promissora e consciente.