Expectativas sobre a Black Friday norte-americana (a original)

Consumidores na entrada da Macy´s (NY Times)

Ontem nos Estados Unidos os consumidores mostraram na corrida às compras da  Black Friday que o otimismo local anda realmente crescente. Nos últimos meses os norte-americanos experimentaram aumento  no nível de emprego e do valor dos imóveis (finalmente).  Até a reeleição de Obama é um sinalizador desse otimismo – lhe deram um voto de confiança acreditando nessa melhoria.

Ainda na onda do otimismo, a NRF (National Retail Federation) estima que as vendas de final de ano vão aumentar 4,1 por cento este ano, chegando a 586 bilhões de dólares. Essa previsão de vendas é baseada em um modelo econômico que considera indicadores como o desemprego, dados do mercado imobiliário, relatórios mensais de vendas no varejo, incluindo as vendas de novembro e dezembro – sinal da importância da Black Friday para eles, considerada um termômetro do desempenho final das vendas da estação de final de ano como um todo.

Os números oficiais vão demorar um pouco para sair, mas o Walmart, por exemplo,  informou que essa última Black Friday foi o melhor de todas as épocas para a empresa, trazendo 22 milhões de clientes para suas lojas na quinta-feira. Durante o frenesi de compras, das oito até a meia noite, o varejista processou ​​cerca de 10 milhões de transações, vendendo quase 5.000 itens por segundo.

Entre outros resultados apresentados, o Walmart mencionou o “crescimento incrível” do iPad 2, bem como das TVs e blu-ray players da LG , dos quais foram vendidos 1,3 milhões de unidades cada. Informaram a venda também de mais de:

  • 1,8 milhões de toalhas,
  • 1,3 milhões de televisores,
  • 1,3 milhões de bonecas e
  • 250.000 bicicletas.

Parece que a turma levou a sério a expressão “shop till you drop” por lá.

Comprar até cair Black Friday 2012 (NY Times)
Black Friday no Times Square (NY Times)

Fontes: NY times, PR Newswire

NRF 2012: novos aprendizados e velhas constatações (3/7)

Conforme prometido ema postagens anteriores, segue a continuação das minhas impressões sobre a convenção da NRF (National Retail Federation), na sua edição 101, que aconteceu enre 15 e 18 de janeiro de 2012. Lembro que dividi minhas impressões gerais em 7 postagens, conforme abaixo:

  • Interdependência e globalização (já publicada em 1/3/2012)
  • Brasil, a bola da vez  (já publicada em 5/3/2012)
  • Capitalismo consciente (essa aqui que você está lendo)
  • Sustentabilidade
  • Techo-commerce
  • O papel da loja física
  • Velhas constatações, uma espécie de resumo do aprendizado das 12 últimas NRF´s que frequentei.

Boa leitura!

Capitalismo consciente

Talvez uma possível resposta à necessidade de reformas que os países desenvolvidos precisem fazer, pela primeira vez na NRF se tratou em uma Super Session do tema “capitalismo consciente”. De forma resumida, o capitalismo consciente vai contra o pensamento de Milton Friedman, que pressupõe que a empresa deve ser orientada para deixar o acionista feliz. Sem esquecer o acionista, essa nova forma de pensar considera também os demais “stakeholders”, incluindo funcionários, clientes, fornecedores e a comunidade em geral como merecedores dessa felicidade. O negócio, portanto, deve ser olhado de uma forma mais ampla, na qual as marcas devem ter um propósito, uma cultura concreta, liderança consciente e serem orientadas para todos os “stakeholders”.

E essa forma de encarar o negócio dá resultados. Segundo estudo de Wharton, as empresas listadas na bolsa de Nova York (S&P 500) que seguem os princípios do capitalismo consciente geram nove vezes mais lucro que as tradicionais.

Na convenção da NRF desse ano dois exemplos marcantes de varejistas mais conscientes foram o Whole Foods e a The Container Store. O CEO do primeiro, conhecida rede de supermercados orgânicos, Walter Robb, afirmou: “Queremos mudar a forma como o mundo come e promover a saúde. Queremos mudar o modelo de agrícola para construir um mundo sustentável”.

Já Kip Tindell, presidente da The Container Store, uma rede artigos diversos para organização do lar, com cerca de 40 lojas, vendas de US$ 650 milhões por ano, 4.000 empregados e presente da lista da revista Fortune das “100 Melhores Empresas para Tabalhar ” seguidamente nos últimos doze anos afirmou: “Esse modelo (o tradicional) não funciona mais. A empresa que faz o funcionário feliz, deixa o cliente feliz. Se eles estiverem felizes, os acionistas estarão. Capitalismo consciente pode mudar o mundo”.

Uma fala diferente, promissora e consciente.


NRF 2012: novos aprendizados e velhas constatações (1/7)

Maurício Morgado

A convenção da NRF (National Retail Federation), na sua edição 101, aconteceu nos dias 15 a 18 de janeiro de 2012. Havia dois anos que a convenção da NRF mostrava sinais de desânimo. O desempenho da economia norte-americana não ajudava e o tom de lamúria batia forte. Nesse ano, as coisas foram diferentes, o ânimo voltou, ainda que com cautela, e pudemos ver um certo otimismo no ar. A própria NRF reporta que 2012 foi um ano de quebra de recordes, com mais de 25.500 participantes de 78 países, dos quais cerca de 1.500 brasileiros, o maior grupo de estrangeiros da feira, na frente até do Canadá, bem mais perto de Nova Iorque do que para nós, convenhamos.

Mas, afinal, quais foram os grandes aprendizados e as principais discussões desse ano? Agrupei minhas impressões gerais em 7 grandes blocos, que serão postados em 7 vezes sem juros no meu blog:

  • Interdependência e globalização
  • Brasil, a bola da vez
  • Capitalismo consciente
  • Sustentabilidade
  • Techo-commerce
  • O papel da loja física
  • Velhas constatações, uma espécie de resumo do aprendizado das 12 últimas NRF´s que frequentei.

Boa leitura!

Interdependência e globalização

A palestra do presidente Bill Clinton foi a grande atração desse ano. Muito admirado em seu país e recebido em pé pela audiência, reforçou o potencial gerador de empregos do varejo e apresentou seus pensamentos acerca do que podemos chamar de interdependência e globalização. Carismático e com uma capacidade ímpar de simplificar assuntos complexos, Clinton lembrou a audiência que nesses tempos de globalização, com economias entrelaçadas e com o dinheiro se movimentando literalmente na velocidade da luz, temos (nós, a humanidade) grandes desafios a superar. Se por um lado nunca fomos tão ricos e prósperos, por outro esse nosso jeito de viver nos traz três grandes problemas:

Instabilidade: Com muita informação disponível, os agentes econômicos mudam suas apostas de uma hora para outra, balançando governos, desestabilizando moedas e criando incertezas como as que assolam a zona do euro ultimamente.

Desigualdade: Enquanto os países pobres lidam com escassez de recursos e lutam por construir seus sistemas políticos, econômicos, de saúde, transporte e previdência privada, os países mais ricos enfrentam a necessidade de reformar os seus, os quais já se mostram insustentáveis no longo prazo. Grandes desafios demandantes de conversas e negociações complexas.

Sustentabilidade: Paradoxalmente, enquanto os pobres resolvem seus problemas e ascendem economicamente, outra questão surge: não haverá planeta para sustentar esse novo patamar de consumo. Como lidar com o aquecimento global, com a escassez de combustíveis e matérias-primas e com a destruição dos habitats naturais da fauna e flora mundiais?

Ainda sobre a fala do Sr. Clinton, a menção que fez ao Brasil sobre como temos conduzido negociações com respeito às opiniões alheias e contraditórias, colocando potenciais inimigos à mesma mesa para discutir e buscar consenso, além do respeito que temos demonstrado por nossa biodiversidade e recursos naturais, fez os brasileiros interromperem sua fala para aplaudi-lo. Um belo momento verde e amarelo.