NRF 2013 – Novidades e um pouco mais do mesmo

por Maurício Morgado

A convenção da NRF deste ano mostrou uma dose bem maior de otimismo que a dos dois anos anteriores. Voltou-se a falar de resultados positivos, de crescimento nas vendas e de novas ideias, além de muitos pontos tradicionais terem sido reforçados. Somando o que foi discutido nas diversas sessões com as visitas técnicas que realizamos, podemos resumir o aprendizado desse ano em sete grandes pontos. Vamos a eles.

1) Personalização

O desejo da personalização, de possuir artigos e objetos exclusivos e diferenciados, sempre acompanhou o homem. Hoje em dia, com o uso intensivo de tecnologia, a personalização pode ser massificada e os varejistas estão tirando proveito disso, sempre é claro, utilizando essa oportunidade para armazenar muitas informações do cliente e alimentar enormes bancos de dados com esses preciosos dados individuais.

Três exemplos de personalização chamaram muito a atenção esse ano. O primeiro deles é o da Raleigh, uma pequena fábrica de jeans norte-americana que os comercializa ao redor US$ 250,00. Com produção limitada, cada peça é literalmente assinada mo lado interno da calça pela pessoa que o costurou. E a loja faz questão de dizer que a produção é feita nos EUA.

Continuando no mundo dos jeans, a Levi’s é, por mais estranho que possa parecer, o próximo exemplo de personalização. Com seu projeto Made to Order, no Meat Packing District, os clientes têm a oportunidade de construir um par de jeans feito sob encomenda a partir do zero, incluindo a seleção de materiais, costura sob medida e a aplicação de detalhes de design na peça.

A Converse, mais conhecida entre nós pelos tênis All Star, agora permite que seus clientes escolham estampas diferenciadas consultando diversos tablets disponíveis num balcão da loja. A estampa escolhida pode ser ainda alterada pelo cliente através do próprio software e depois impressa nos tênis básicos por uma grande impressora instalada à vista de todos no piso da loja. Depois de algumas horas o cliente poder retirar seu All Star exclusivo.

2) Inovação

Quase sempre ligamos inovação à alta tecnologia, muita ciência, anos de pesquisa, etc. É claro que isso traz inovação mas, muitas vezes, ideias baseadas em baixa tecnologia impactam tanto quanto as mais sofisticadas. O Shake Shack, uma rede de hambúrgueres muito saborosos, inova ao criar um menu para cachorros na sua loja do Madison Square Park, muito frequentado por pessoas passeando com seus animais de estimação. A Little Mismatched não vende meias em pares, o faz em trios – e as três meias são diferentes! O sucesso foi tão grande que as estampas e o estilo da empresa agora estão presentes em brinquedos e roupa de cama. Um outro exemplo de baixa tecnologia com grande impacto é o da Sephora ao disponibilizar verdadeiros camarins cinematográficos para que as clientes possam testar as maquiagens vendidas pela empresa.

Há também muitos exemplos de inovação com uso de tecnologia, nem sempre tão sofisticada assim. Três casos chamaram a atenção. O primeiro deles é também da Sephora que disponibiliza um aplicativo dentro de suas lojas no qual, através de menus interativos, permite à cliente escolher o perfume que mais combina consigo. O segundo caso muito interessante foi apresentado no estande da Intel, em parceria com a McCormick, empresa que fabrica e comercializa temperos. Um totem com um aplicativo divertidíssimo oferece testes para o cliente colocar à prova seu olfato. Após o equipamento aspergir aromas no ar, convida o usuário a tentar adivinhar qual era o tal aroma. Além de muito divertido, o pacote todo cria grande interação e simpatia pela marca.

Uma vending machine da Costa Cafés, empresa inglesa, também chamou muito a atenção no estande da Intel. A máquina, um verdadeiro barista digital, mói café na hora, pedido a pedido. Oferece diversas bebidas à base de café e chocolate e enquanto as prepara, emite sons típicos de um bar e, acredite, libera aromas do que está sendo preparado (na verdade são essências, mas quem se importa). Depois de tudo pronto,entrega a bebida quentinha (o expresso era muito bom) e muito bem apresentada. Um show!

3) Big data

Muito tem se falado da capacidade das empresas armazenarem e analisarem os dados de compras dos clientes. Recentemente ficou famoso o caso do Target, que descobriu antes do pai de uma adolescente que ela estava grávida, apenas pela análise dos gastos da família. A partir do acúmulo e análise de dados sobre os clientes é possível desenvolver ferramentas gerenciais, operacionais, modelos preditivos e ligá-los a programas de CRM.

Um caso muito comentado na NRF desse ano foi o robô Andyvision desenvolvido por uma professora da Carnegie Mellon capaz de circular pelos corredores das lojas e identificar rupturas apenas “conferindo” um planograma previamente carregado em sua memória. Espera-se que o robô também possa dar informações e orientações aos clientes que precisarem.

Outro caso muito interessante foi o de um display interativo da Sears capaz de identificar o gênero e a faixa etária da pessoa que estiver na sua frente. Após essa identificação o display apresenta ofertas e cupons segmentados ao cliente identificado e que podem ser capturados por seu smartphone simplesmente utilizando o aparelho para “acenar” para o display. Caso o cliente libere o acesso a seus dados pelo aplicativo, suas informações pessoais podem ser utilizadas para ofertas futuras e acompanhamento de seu comportamento.

Há também sistemas que coletam informações sobre o fluxo de clientes na loja a partir da filmagem da área de vendas até mesmo pelas câmeras de segurança. Esses dados de fluxo quando cruzados com dados gerados pelo POS podem ser utilizados para cálculo da taxa de conversão de cada loja, além de ajudar no dimensionamento de pessoal e na determinação das áreas quentes e frias do estabelecimento. Esses sistemas já são oferecidos no Brasil e geram informações valiosíssimas para a administração do varejo.

4) Showroomers e Mídias sociais

Acostume-se com a nova palavra incorporada ao jargão do varejo: showroomer. É a pessoa que frequenta a loja para utilizá-la somente como um show room, aproveitando a presença física do produto para analisá-lo e, eventualmente, comprá-lo pela Internet em outro varejista como, por exemplo, a Amazon. Esse novo personagem é tipicamente um homem, de 18 a 34 anos de idade (um millenial), afluente e, sobretudo, INFLUENTE. Exerce essa influência através das mídias sociais podendo ajudar ou prejudicar a imagem de marca da loja e do fabricante. Para sorte dos varejistas, as pesquisas apontam que ele tende a ser simpático às marcas que o deixam em paz nesse processo de pesquisa de produtos.

Esse desejo de protagonizar o processo de compras e de interação com as marcas remete à regra de ouro da administração do relacionamento através das mídias sociais: ouça-interaja-reaja-venda. Isso quer dizer que as empresas devem estar atentas ao que se fala sobre elas nas mídias sociais, interagir com esses protagonistas, reagir às suas demandas, reclamações ou elogios para, só depois disso, tentarem vender-lhes algo.

Um caso interessante de integração do mundo virtual ao real é o da Piperlime, varejista online do grupo da Gap e que abriu sua primeira loja física no Soho. Com cerca de 400 m2, ar limpo e moderno, a loja assume ser um showroom, procura fazer curadoria de vestuário e acessórios, ou seja, escolha criteriosa de modelos a partir do perfil do público-alvo. Dentro da loja, quiosques ligam o cliente diretamente à Piperlime.com, dando acesso a produtos adicionais. Os pedidos feitos na loja têm entrega gratuita no dia seguinte. Parece um mundo de ponta-cabeça, não?

5) Comunidade

O tema capitalismo consciente voltou a ser comentado na convenção esse ano e a responsabilidade social, ambiental e econômica, o famoso triple bottom line, apareceu mais uma vez. Isso significa o respeito a todos os stakeholders, os interessados e afetados pela atuação da empresa. Marcou muito a afirmação de Kofi Annan ao dizer que não são necessárias leis para que uma empresa não polua o rio do qual extrai a água utilzada no seu processo produtivo.O presidente da Container Store ressaltou o cuidado que a empresa tem com seus funcionários, o da Whole Foods o fez em relação a seus fornecedores e o da Starbucks reforçou a necessidade dos líderes do varejo se unirem politicamente para terem seus pontos e necessidades melhor representados perante os governos.

Ao ouvirmos tais afirmações sendo feitas por grandes líderes internacionais e presidentes de empresas gigantescas, parece que resta pouco para os pequenos varejistas fazerem. Não é verdade. Temos sempre que lembrar que o varejista, de qualquer porte, vive de sua área de influência, aquele pedaço de terra próximo à sua loja de onde a maioria de seus clientes costuma vir. Para esses, basta ter a noção de que sua comunidade está ali e é para esse entorno que ele deve focar seus esforços. É a vida dessas pessoas que ele deve procurar tocar.

6) Pessoas

Não se faz varejo sem funcionários, sem gente. Outra vez esse tema voltou às falas de diversos palestrantes. Estes ressaltaram a necessidade de engajamento dos funcionários, fazendo-os compreender a proposta da empresa, envolvendo-os através de constantes processos de comunicação.

Dois casos chamaram a atenção nesse particular. A REI, empresa que comercializa material esportivo para atividades ao ar livre, faz questão de ter funcionários identificados com o estilo de vida da empresa. Em uma de suas lojas vimos um quadro denominado “funcionários em ação” repleto de fotos de colaboradores praticando esportes, bem ao estilo do cliente que a empresa pretende atingir.

Outro caso marcante foi sentir “na pele” a vibração dos funcionários do Stew Leonard´s. Tivemos a chance de visitar e empresa e sermos recepcionados pelo próprio Stew Jr. Além de cada funcionário exibir um crachá com seu nome e tempo de casa, falavam da empresa com muito amor e entusiasmo. Definitivamente a liderança de Stew ajuda, mas há algo especial naquelas pessoas e no modo como falam da empresa. Elas, definitivamente, veem o varejo como carreira, ponto defendido por muitos palestrantes esse ano.

7) Posicionamento claro e diferenciado

Lição que se repete todos os anos, a necessidade de ter um posicionamento claro e diferenciado é fundamental. Conceituar a marca na cabeça do cliente é a chave para ser relevante na vida dessas pessoas e, convenhamos, os norte-americanos sabem fazer isso muito bem. O grupo Urban Outfitters, que faturou US$2,473 bilhões no ano fiscal de 2012 faz isso com maestria em três de suas marcas de vestuário: a própria Urban Outfitters, a Free People e a Anthropologie. Três marcas, três públicos e três posicionamentos completamente diferentes, demonstrados aos clientes por produtos, visual de loja e design completamente distintos.

Essa conceituação de marca pode ser usada também para criação, manutenção e revigoramento de conceitos. Um caso marcante de criação de conceito é o da Menscience, uma loja especializada em produtos e tratamentos de beleza para homens, algo, convenhamos, pouco comum no mercado. Produtos, visual da loja e atendimento focados nos homens criam o diferencial da marca.

Já ao construir uma nova mansão na Madison Avenue para abrigar a loja dedicada à sua coleção feminina e produtos para o lar, exatamente na frente da sua loja instalada na Rhinelander Mansion, de 1898, esta totalmente dedicada à linha masculina, fez com que a Ralph Lauren reforçasse a manutenção de seu já tradicional conceito de marca.

Acontece que às vezes é preciso revigorar conceitos que já foram sucesso incontestável. Esse foi o caso da Build-a-Bear. Com apenas 15 anos de estrada, a empresa viu que a atração de sua loja diminuía para as crianças cada vez mais “digitais” dos dias de hoje. Apesar do interesse pelos ursos de pelúcia ainda se manterem, a interação das criança com os elementos da loja necessitava ser revigorada e isso foi feito pela incorporação de novas tecnologias. Por exemplo, o banho no ursinho recém-criado, antes simulado com um sopro de ar, hoje é feito numa tela que apresenta bolhas ao ter o ursinho nas proximidades. Para chegar a essa e outra modificações a empresa contou com um grupo de crianças como consultores. Nada mais adequado.

Bem, independente de você estar criando, reforçando ou revigorando um conceito ou posicionamento, é fundamental, antes de tudo, que você tenha um. Caso isso não esteja claro para você, não o estará para seus funcionários e, sem dúvida, seus clientes também não o perceberão. Por isso, deixamos aqui quatro perguntas que você deve responder para se assegurar que seu posicionamento está claro. Se não conseguir respondê-las a contento, Houston, temos um problema.

  • Qual a razão de existir da sua loja?
  • O que ela veio fazer no mundo?
  • Se sua loja morrer, qual será o seu epitáfio?
  • Quem vai sentir falta dela?

Bons negócios.

Expectativas sobre a Black Friday norte-americana (a original)

Consumidores na entrada da Macy´s (NY Times)

Ontem nos Estados Unidos os consumidores mostraram na corrida às compras da  Black Friday que o otimismo local anda realmente crescente. Nos últimos meses os norte-americanos experimentaram aumento  no nível de emprego e do valor dos imóveis (finalmente).  Até a reeleição de Obama é um sinalizador desse otimismo – lhe deram um voto de confiança acreditando nessa melhoria.

Ainda na onda do otimismo, a NRF (National Retail Federation) estima que as vendas de final de ano vão aumentar 4,1 por cento este ano, chegando a 586 bilhões de dólares. Essa previsão de vendas é baseada em um modelo econômico que considera indicadores como o desemprego, dados do mercado imobiliário, relatórios mensais de vendas no varejo, incluindo as vendas de novembro e dezembro – sinal da importância da Black Friday para eles, considerada um termômetro do desempenho final das vendas da estação de final de ano como um todo.

Os números oficiais vão demorar um pouco para sair, mas o Walmart, por exemplo,  informou que essa última Black Friday foi o melhor de todas as épocas para a empresa, trazendo 22 milhões de clientes para suas lojas na quinta-feira. Durante o frenesi de compras, das oito até a meia noite, o varejista processou ​​cerca de 10 milhões de transações, vendendo quase 5.000 itens por segundo.

Entre outros resultados apresentados, o Walmart mencionou o “crescimento incrível” do iPad 2, bem como das TVs e blu-ray players da LG , dos quais foram vendidos 1,3 milhões de unidades cada. Informaram a venda também de mais de:

  • 1,8 milhões de toalhas,
  • 1,3 milhões de televisores,
  • 1,3 milhões de bonecas e
  • 250.000 bicicletas.

Parece que a turma levou a sério a expressão “shop till you drop” por lá.

Comprar até cair Black Friday 2012 (NY Times)
Black Friday no Times Square (NY Times)

Fontes: NY times, PR Newswire

Sears e K-Mart: morte lenta

The Sears, Roebuck building on Beverly Road in Brooklyn

O Kmart, varejista pioneiro nas lojas de desconto (já era gigante quando o Walmart nasceu), hoje sob controle da Sears Holdings, está no meio de uma desativação em massa de lojas. Depois de um mau Natal em 2011, a Sears Holdings anunciou que fecharia até 120 pontos da Sears e do Kmart. Em janeiro de 2012 havia pouco mais de 1,3 mil Kmarts nos EUA, 800 a menos do que uma década antes, quando Kmart deslizou para a falência como um empresa independente. Em fevereiro, a Sears Holdings registrou a maior perda trimestral em pelo menos nove anos. No trimestre seguinte, o de julho, anunciou perdas de  US$ 132 milhões. Agora os analistas esperam ainda outra perda quando os relatórios da empresa saírem amanhã, visto que já se sabe que houve uma queda de 10 por cento nas vendas. 

A Sears Holdings foi recentemente retirada da lista das 500 ações da Standard & Poor. Em 1999 já havia sido retirada do Dow Jones. Para uma empresa que já foi a maior varejista do mundo, são notícias dolorosas. Pessoalmente me dá uma dó danada: trabalhei na Sears aqui no Brasil, apesar de já não mais pertencer aos norte-americanos quando passei por lá. Peguei um finalzinho do seu glamour.

Fonte: http://www.businessweek.com

Quase 80 milhões de usuários da Internet no Brasil!

Deu hoje no UOL e retransmito ipsis literis:

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O número de brasileiros que acessa a internet chegou a 79,9 milhões no quarto trimestre de 2011, segundo o IBOPE Nielsen Online. Em relação ao mesmo período de 2010, houve crescimento de 8%, principalmente nos acessos de casa e do trabalho. No entanto, quase a metade deles ainda acessa a internet com velocidade baixa.

O acesso em casa ou no trabalho atingiu 66 milhões de pessoas no primeiro trimestre. O total de pessoas que moram em residências em que existem computadores com internet chegou a 62,6 milhões.

O número de pessoas que acessam internet com velocidade maior que 2 Mbps (Megabits por segundo) aumentou 300% em dois anos, aponta a pesquisa. No entanto, quase metade dos usuários de internet (45%) ainda utiliza velocidade entre 512 Kbps (Kilobits por segundo) e 2 Mbps.

De acordo com o instituto, o aumento dos acessos à internet feitos de casa ocorre devido à expansão do serviço de banda larga no país. Mas apesar do crescimento em número de pessoas conectadas, o tempo de uso de janeiro para fevereiro do computador caiu de 63 horas para 57 horas mensais.

Fonte: UOL

Concorrência é a ‘alma’ das ruas de comércio especializado, dizem consultores e lojistas

Reproduzo matéria do Afonso Ferreira, do UOL,  para a qual fui entrevistado.

  • Luminárias, noivas, instrumentos musicais e eletrônicos; há ruas para todo tipo de comércioLuminárias, noivas, instrumentos musicais e eletrônicos; há ruas para todo tipo de comércio

Na cidade de São Paulo são famosas as ruas de comércio especializado, aquelas que possuem muitas lojas ou estabelecimentos do mesmo segmento. Quem está à procura de um vestido de noiva, corre para a São Caetano. Precisa de lustres ou luminárias, na Consolação tem. Antiguidades, é na Cardeal Arcoverde.

Mas atuar lado a lado com o “inimigo” não seria nocivo para as vendas? Especialistas afirmam que ser vizinho da concorrência beneficia os consumidores e, por consequência, também os lojistas. Isso porque a grande variedade de lojas do mesmo ramo tão próximas facilita a pesquisa por produtos e atrai consumidores de todas as regiões da cidade e até do país.

Para o professor da Escola de Administração de Empresas da FGV Maurício Morgado, a grande concentração de estabelecimentos de um mesmo ramo dá força para as ruas de comércio especializado serem lembradas pelos consumidores. “As lojas não precisam fazer publicidade, pois as pessoas sabem que elas existem naquela região.”

O professor diz que os comércios situados em bairros afastados dos concorrentes precisam lembrar sua existência o tempo todo para os consumidores. “As lojas fora da região consagrada precisam investir em publicidade para não serem esquecidas.”

Estar entre os concorrentes, porém, não é garantia de que o negócio será bem-sucedido. Os preços ficam mais competitivos e os empresários precisam, cada vez mais, buscar um diferencial para seus produtos. Em meio a tantas opções, o consumidor tem mais facilidade para comparar os estabelecimentos visitados e o empresário precisa se destacar. “O visual tem de chamar a atenção desde o letreiro na entrada até a organização dos produtos na vitrine e no interior da loja.”

Outras variáveis ajudam a conquistar clientes, como preço, qualidade do produto e o aspecto visual, incluindo a aparência dos profissionais, afirma o coordenador do MBA em Gestão de Marcas da Trevisan Escola de Negócios, Marcos Hiller. “Vale a pena checar até se as unhas da vendedora estão descascadas.”

Hiller aponta o atendimento como o principal atraente de um comércio. Para ele, os funcionários devem ser bem treinados, educados, atenciosos e preocupados em resolver os problemas do consumidor. “Se uma loja é maravilhosa, mas o atendimento é ruim, o cliente não vai voltar.”

Concorrência é a ‘alma’ da Rua das Noivas

A rua São Caetano, na Luz, é conhecida como  a “rua das noivas”, por causa da grande concentração de lojas especializadas em vestidos e artigos para casamentos. O proprietário da loja Casa da Noiva, Márcio Casablanca, diz que a concorrência na região é benéfica. “É a ‘alma’ da rua São Caetano, obriga a todos a estar sempre atualizados com as últimas tendências do mercado e aprimorando os seus serviços.”

Segundo Casablanca, a loja foi inaugurada na década de 80, quando já existia concorrência na região. Mesmo assim, a fama do local e o acesso facilitado motivaram a vinda dele para a rua das noivas. “Este é um endereço tradicional na cidade. É seguro, de fácil acesso aos clientes e com inúmeros estacionamentos próximos.”

Aluguel é mais caro em regiões mais atrativas

Ricardo Fernandes Miguel é proprietário da loja Estiluz, na rua da Consolação, no Centro, famosa pela variedade de artigos para iluminação. Ele diz que precisa se diferenciar de seus concorrentes para atender melhor os consumidores que vêm de outras regiões do Brasil à procura destas mercadorias. “Busco sempre vender um produto moderno e diferenciado no design e no material.”

Por estar na região central, o lojista reconhece que o valor gasto com aluguel e condomínio do imóvel é elevado, mas não pensa em mudar de endereço. “A loja tem quase dez anos. É difícil começar em outro lugar, mesmo com despesas menores.”

Brasil já tem 126 celulares para cada 100 habitantes

Publicado na Exame:

No mês passado (fev 2012), o Brasil bateu seu recorde de novas ativações de celulares para um mês de fevereiro. Foram 2,4 milhões de novas linhas, o maior número dos últimos 13 anos. Ele representa um crescimento de 0,99% na base de celulares no país. A informação faz parte do relatório mensal da Anatel sobre a telefonia celular no Brasil divulgado nesta segunda-feira.

O país terminou o mês com 247 milhões de linhas ativas, o que equivale a uma teledensidade de 126 linhas para cada 100 habitantes. Entre os estados brasileiro, o único que não tem mais celulares que habitantes é o Maranhão, onde a relação é de 83 celulares para cada 100 habitantes.

Mas o Maranhão foi, também, o estado onde a teledensidade mais cresceu em fevereiro, registrando aumento de 2,7%. No outro extremo está o Distrito Federal, campeão disparado nesse quesito, com 217 linhas para cada 100 habitantes. Em São Paulo, o segundo colocado, são 145 linhas para 100 habitantes. Mato Grosso do Sul vem em terceiro, com 144.

Segundo a Anatel, 82% dos celulares em uso no Brasil são pré-pagos e, 18%, pós-pagos. O estado com maior proporção de pós-pagos é o Rio Grande do Sul, onde 26% das linhas usam essa modalidade de pagamento. Já o estado com maior proporção de pré-pagos, 94%, é o Maranhão. Entre as operadoras, a Vivo mantém a liderança no país, com 29,9% das linhas ativas. Em seguida, vêm TIM, com 26,6%; Claro, com 24,7%; e Oi, com 18,6%.

Fonte: 

http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/brasil-ja-tem-126-celulares-para-cada-100-habitantes

NRF 2012: novos aprendizados e velhas constatações (2/7)

Conforme prometido na postagem anterior, segue a continuação das minhas impressões sobre a convenção da NRF (National Retail Federation), na sua edição 101, que aconteceu enre 15 e 18 de janeiro de 2012. Lembro que dividi minhas impressões gerais em 7 postagens, conforme abaixo:

  • Interdependência e globalização (já publicada em 1/3/2012)
  • Brasil, a bola da vez (essa aqui que você está lendo)
  • Capitalismo consciente
  • Sustentabilidade
  • Techo-commerce
  • O papel da loja física
  • Velhas constatações, uma espécie de resumo do aprendizado das 12 últimas NRF´s que frequentei.

Boa leitura!

 

Brasil, a bola da vez

Com palestrantes do calibre de Marcos Gouvêa de Souza, Alberto Serrentino, Flávio Rocha, Frederico Trajano e Hugo Bethlem, o varejo brasileiro esteve muito bem representado em diversas palestras. Mas, além disso, o país foi valorizado por seu desempenho nos últimos anos e incrível potencial de crescimento na próxima década. Ira Kalish, o respeitadíssimo economista-chefe da Deloitte, apresentou um panorama muito favorável do nosso país, mostrando mais otimismo conosco do que com a China, Índia ou Rússia.

Que é lisonjeiro, não há dúvida. Afinal, depois de quase três décadas nos sentindo como uma espécie de escória econômica, pulando de crise em crise e de plano econômico em plano econômico (lembram-se?), é muito bom ser tratado com respeito e seriedade. Mas, não se enganem: essa atenção toda vai atrair ainda mais o interesse de grupos de varejo estrangeiros os quais, impossibilitados de crescerem em seus atuais territórios, já maduros e em crise econômica, buscarão expandir sua presença internacional e fazer a bola da vez quicar com mais força. Aguardem, porque mais concorrência internacional pode chegar. Uma consequência disso, e até para se precaverem contra essas investidas, grupos nacionais poderão juntar forças, e mais fusões e aquisições também  poderão acontecer. Teremos fortes emoções em 2012…

Marketing 4D

Bem, já está na hora de começar o ano nesse blog. Afinal, já é 27 de fevereiro!

Seguem duas iniciativas muito interessantes de comunicação feitas na rua, em 4 D, concebidas para gerar grande interação com as marcas. A primeira delas é da Ralph Lauren, que transformou seu prédio no 867 da Madison Ave. em uma grande tela para apresentação da sua linha de produtos (ela também o fez em Londres). Ao final da performance, quando entram em cena os 4 perfumes da marca, eles simplesmente borrifaram os aromas no público que assistia o show. Acompanhe:

O outro caso é da Nokia, no lançamento do seu telefone Lumia 800 em Londres, com a presença do DJ deadmau5 comandando a música. Enquanto isso, impactantes imagens eram projetadas na Millbank Tower. Veja esse também. Foi show, literalmente.