Entre, compre e saia sem passar pelo caixa. Conheça Amazon Go.

A Amazon quer conquistar o mercado alimentício e, bem, na minha opinião, o mundo. Acabaram de lançar um supermercado onde basta escolher os produtos, tirar da gôndola e sair “sem pagar”. A conta chega por smartphone. Sem filas, sem atendimento nos caixas. Clique na imagem para ver o vídeo – é incrível.

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A Amazon batizou essa tecnologia de “just walk out”, algo como é “só entrar”.
A Amazon Go abriu nesta segunda-feira, 5/12/16, em Seattle, por enquanto só para aos colaboradores, que estão fazendo os testes de funcionamento da loja. Só no início de 2017 abrirá para o público.

É muito disruptivo. É bom acompanhar bem de perto.

Tendências de Varejo 2016 – a era da inteligência e da experiência de compra

Impressões gerais sobre a NRF 2016 

Maurício Morgado, para a revista Gôndola

Apesar de termos mandado muito menos brasileiros para a feira esse ano, 1.135 contra 1.897 do ano passado (-40%), não fizemos feio. A situação econômica difícil no nosso país e o dólar nas alturas fez muitas pessoas procurarem opções mais baratas, reduzirem os dias da viagem e, no final das contas, perdemos só para o vizinho Canadá, com 1.239 participantes. Este ano 34 mil pessoas compareceram à feira – contra os 33.000 do ano passado – e 94 países mandaram representantes ao maior e mais tradicional evento de varejo do mundo, dessa vez na sua 105a. edição.

Mas, além das recordações da nevasca que acabou nos segurando lá por mais 3 dias além do planejado (aproveitamos para visitar lojas!), o que mais trouxemos para casa? Muito aprendizado. A consolidação de ideias do ano passado e novos pontos de atenção para um 2016 que não promete ser nada fácil para o varejo brasileiro. Vamos aos pontos mais importantes desse ano.

Millennials

Esse foi o assunto da moda em toda a convenção. Era difícil participar de uma palestra e não ouvir falar dos “millennials“. Mas, afinal, o que é isso, ou melhor, quem são esses? Os millennials nasceram no período que compreende o início dos anos 80 e o início dos anos 2.000 e têm entre 15 e 35 anos hoje em dia. Estima-se que sejam 2 bilhões de indivíduos no mundo. Muita gente mesmo.

Os millennials caracterizam-se por uma proximidade grande com a tecnologia, por ainda não terem atingido um alto padrão de renda, por uma certa inquietude em relação ao emprego tradicional, um certo desejo de fugir do modelo de carreira corporativa. Por conta disso, apresentam uma rotatividade no emprego e uma vontade de empreender muito maiores em relação às outras gerações. No que se refere ao consumo, estão mais preocupados com o PORQUÊ comprar algo do que simplesmente no QUE querem vender-lhes. Interessa-lhes mais as histórias por detrás das marcas do que os produtos em si.

Entender esse consumidor faz toda diferença. O CEO da Choice Hotels, Stephen P. Joyce, ressaltou em sua palestra que, enquanto os baby-boomers chegam a seus hotéis e querem desesperadamente ter acesso ao quarto, os millennials, além de preferirem não ter que falar com ninguém no processo de check-in, pouco se incomodam em esperar sentadinhos no lobby pelo quarto ficar pronto, desde que possam acessar a Internet nos seus telefones celulares.

Queridinha desse público, um caso bastante discutido na convenção foi o da Shinola. A empresa fabrica relógios, bicicletas, artigos de couro e agendas de alta qualidade e durabilidade, utilizando processos semiartesanais. Têm como ideal a preservação do artesanato e da beleza das técnicas de manufatura. Escolheram construir sua fábrica em Detroit com a ideia de revigorar a cidade e de trazer empregos de volta para os EUA. Esse tipo de história é perfeito para atingir os millennials: lhes dá o PORQUÊ comprar, muito mais do que o QUE comprar que tanto precisam para se engajar com uma marca. Visite o site shinola.com, navegue pela linha de produtos que você vai entender sobre o que estamos falando.

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SHINOLA NYC

No ramo supermercadista, um varejista norte-americano que entende muito bem os millennials é o Traders Joe. Trabalhando com uma linha de mercadorias extremamente enxuta (cerca de 2.400 itens, a maioria de marca própria), a loja entrega produtos de qualidade, focados em praticidade, adequados ao bolso e ao gosto desse consumidor, mais preocupado com a qualidade e saudabilidade dos alimentos. Um sucesso, sem contar sua história, original da Califórnia e com um pé no surf e em estilo de vida mais despojado.

Adeus Omnichannel, bem-vindo Onechannel

Esse ano pouco se falou de omnichannel e quade nada de multicanal. Já se parte do princípio de que as empresas varejistas atuam dessa forma, de que é mandatório ter presença online e de que um percentual significativo das vendas ocorre em dispositivos móveis (e estamos falando de cerca de 1/4 dessas vendas). Segundo Sir Charlie Mayfield, CEO da John Lewis, grupo inglês que detém o controle da loja de departamentos de mesmo nome e dos supermercados Waitrose, “a noção de dois canais não é saudável”. Para ele, “a era do multicanal acabou, temos que tratar tudo como um canal só, onechannel”.

A ideia de Mayfield é muito provocadora e interessante. As pessoas querem se relacionar com a marca do varejista, independente do ponto de contato – e querem fazê-lo sem perceber diferenças de tratamento entre os canais. Não lhes importa se o contato está sendo feito no celular, no televendas, no quiosque, no site ou na loja física.

Dos dados à inteligência artificial

O mundo cada vez mais digitalizado gera uma quantidade de dados incríveis à disposição dos varejistas. O desafio é organizar tudo isso, tirar informações úteis para o negócio e aproveitar esse mar de dados para auxiliar o cliente em seu processo de compra. Na feira foi possível ver diversas soluções para contagem de tráfego de clientes em loja (com filmagem e classificação automática de gênero e faixa etária de cliente). Também há sistemas que buscam identificar a presença do cliente na loja a partir de seu smartphone, quer seja pelo acompanhamento do sinal do celular, quer seja pela utilização de beacons através dos quais o cliente pode interagir com a loja e seus produtos. Identificado o cliente, o diálogo pode ser estabelecido no próprio celular, reconhecendo-se padrões de compra, eventuais necessidades de informação, dirigindo-lhe ofertas e demais interações que possam interessar. É difícil de imaginar até onde a riqueza que isso traz para programas de fidelização e mineração de dados pode nos levar.

Esse ano a inteligência artificial ganhou espaço com uma aplicação no varejo. Muitos de nós já experimentamos assistentes digitais como Google Now, Siri e Cortana mas, que tal termos um desses para auxiliar na escolha de produtos? Foi o que a North Face apresentou juntamente com a XPS. Utilizando o supercomputador Watson da IBM a empresa desenvolveu um aplicativo através do qual, em linguagem natural, o cliente pode interagir e obter a indicação da jaqueta mais indicada para o tipo de esporte que irá realizar. É isso mesmo, você conversa com o software, responde perguntas como se estivesse falando com um vendedor, e termina com a indicação do produto mais adequado às suas necessidades.

O novo papel da loja física

Com esse novo contexto de Onechannel, cabe agora discutir o novo papel da loja física e o que ela deve prover ao consumidor para poder atraí-lo. As lojas físicas mais interessantes têm oferecido possibilidades de descoberta, de personalização e de experiências sensoriais inusitadas. Afinal, se fosse somente para comprar produtos, porque não fazê-lo à distância, pelo smartphone, por exemplo?

A loja da Nixon, fabricante de relógios low tech e sucesso entre os millennials, tem em suas lojas um artesão que monta o relógio na frente do cliente a partir de um kit de combinações previamente estabelecidas. O cliente também pode personalizar a parte de trás do relógio com inscrições feitas a laser na própria loja. Com cerca de US$ 150,00 é possível fazer essa personalização.

A Muji, que oferece produtos com design japonês em roupas, materiais para casa e papelaria em geral, inaugurou uma loja nova na Quinta Avenida que é a própria materialização da experiência de compra. Com mais de 700 lojas no mundo, nessa segunda loja de Nova Iorque o varejista criou espaços onde é possível personalizar carimbos, aromas para difusores, descansar em grandes e espaçosos puffs e, simplesmente, ver o tempo passar. A curiosidade que os produtos de estilo japonês contemporâneo provoca dá vontade de ficar por lá um tempão. Com as fotos a seguir dá para ter uma ideia do espírito da loja.

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MUJI QUINTA AVENIDA

A Rough Trade foi outro caso marcante muito comentado por lá. Aberta originalmente em 1976 em Londres, a revenda de discos sofreu com a música digital e hoje conta com três lojas, duas em Londres e uma em Williamsburg, no Brooklyn. O aprendizado da época do sofrimento digital fez a loja ser realmente especial. Há um café, duas mesas de ping-pong com máquinas que dispensam as bolinhas por US$ 0,25, um auditório para shows com bandas de música, bicicletário, espaços para simplesmente ficar e relaxar com os amigos e muitos LPs e CDs para venda. Sim, muitos LPs, os antigos discos de vinil que voltaram com força ultimamente. Fazendo jus ao nome Rough (bruto, mal-acabado), a loja toda tem o piso de cimento queimado, diversos ambientes foram montados com containers soldados entre si e tudo é muito rústico, mas, estranhamente, caloroso e acolhedor. Veja as fotos para entender.

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Gente

O varejo, lá na ponta, é feito de gente e o momento mais tocante dessa NRF foi trazido pelo general Colin Powell, hoje com 78 anos e aposentado. Ele foi o 65o. secretário de estado do presidente Bush e serviu como assessor de segurança do presidente Reagan. Powell contou que quando ainda era um adolescente no Bronx, um judeu, dono de uma loja de móveis e brinquedos, o puxou de lado um dia e ofereceu 50 centavos por hora para descarregar um caminhão. Ele aceitou e, no final do dia, o proprietário perguntou se Powell voltaria no dia seguinte. Powell assim o fez por diversos anos, no verão e no Natal.

“O que eu me lembro vividamente é de ter aprendido tudo sobre o trabalho”, disse ele. Aprendeu a chegar na hora e perceber o que estava acontecendo na loja, fazendo-se indispensável por ali. Powell também pegou o suficiente de iídiche para mostrar aos clientes os produtos em estoque e entender o que eles diziam um ao outro, tudo isso enquanto pensavam que ele não entendia o que estavam falando. Assim, discretamente, ele podia contar ao proprietário da loja o quanto as pessoas esperavam pagar pelos produtos vendidos.

A lição de vida veio alguns anos mais tarde. O proprietário da loja mais uma vez o chamou de lado para uma conversa e disse-lhe que a loja iria passar para sua filha e para o seu genro. Disse também que ele não teria futuro ali e, como era um bom garoto, deveria estudar para estar pronto para outras oportunidades.

“Naquele momento”, disse Powell, “ele mostrou que se importava comigo. Isso me marcou para o resto da minha vida”. Segundo ele, valorizar os outros e inspirar confiança e respeito são princípios tão importantes no varejo, como em qualquer outro lugar que requeira liderança.

O general deixou uma frase muito marcante e que pode ser inspiradora para muitos varejistas: “Se você confia nas pessoas, você deve lhes dar poder e autonomia. Elas acreditarão em você e no poder da sua organização.”

Sua fala emocionou pela verdade e real sentimento que passou. No meu ponto de vista, foi o ponto mais alto da NRF esse ano.

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COLLIN POWELL NA NRF

E qual varejista andou colocando as pessoas em primeiro lugar? Foi a Microsoft. O caso foi apresentado na feira e pudemos constatar pessoalmente que o atendimento e o clima da loja são excepcionais. Não é a primeira loja da empresa mas essa da Quinta Avenida é a flagship em Nova Iorque. O que poderia parecer uma imitação da loja da Apple à primeira vista, se transforma em uma experiência encantadora pelo nível e dedicação do atendimento das pessoas que ali trabalham. Ainda lembro da simpatia da Marcela, de família colombiana, que me atendeu na terceira visita que fiz à loja. E nas outras duas a impressão havia sido a mesma.

Tecnologias disruptivas

Duas tecnologias que foram enfatizadas esse ano e que têm um alto poder disruptivo, particularmente por oferecerem potencial para a desintermediação. A primeira é a impressão 3-D, através da qual objetos podem ser feitos sob demanda, um a um, sem a necessidade de fábricas ou estruturas de distribuição. Há modelos de impressoras 3-D que custam US$ 2.000,00 e o caso mais notório de sua aplicação é o da Normal, empresa que, a partir da digitalização da imagem do pavilhão auricular do cliente, imprime fones de ouvido com encaixe perfeito às curvas de cada orelha.

O segundo caso marcante apresentado esse ano foi o da tecelagem automatizada. A premiada jovem estilista Natalia Allen fundou uma empresa que utiliza robôs para produzir vestuário automaticamente. As peças saem sem costura e prontas para uso da máquina. Entra o fio, sai o vestido.

Há uma terceira tecnologia, a de visualização de realidade em 3-D, que promete mudar a experiência de compra, tanto na loja quanto online. Usando óculos especiais e fones de ouvido o cliente pode ter uma experiência de grande imersão e ser transportado para ambientes virtuais em três dimensões. Esses ambientes podem ser, por exemplo, paisagens relaxantes, o interior de um veículo que se queira demonstrar ou mesmo o passeio virtual por uma loja. As escolhas são feitas através de “cliques” dados com piscadelas. O Oculus Rift é o grande exemplo dessa tecnologia, mas você já pode brincar em casa com o Google Cardboard.

Na área de serviços dois casos foram apresentados com a pegada criativa e transformadora de mercados que já vimos em Netflix, Uber e Air BnB. Tratam-se da Gleem e do HelloAlfred. As fundadoras da Gleem conceberam uma empresa na qual interessados em se desfazerem de suas joias podem colocá-las para avaliação, vendê-las e receber o pagamento em dinheiro ou, se preferirem, em outras joias. As peças ficam em consignação, são transportadas pela Brinks e avaliadas pelo Lloyds de Londres. O caso do HelloAlfred é também muito interessante. Ao filiar-se ao site, o cliente contrata um mordomo pessoal para fazer-lhe diversas tarefas semanais, desde compras, lavanderia, regar as plantas e coisas assim.

Mudança da relação com a comida

Como o principal público desse relato é supermercadista, vale registrar as tendências mais relacionadas à alimentação que apareceram por lá. Particularmente em relação aos millennials, lhes interessa a comida real, algo que vai além da saudabilidade em si. Se houver uma história suportando a marca, melhor ainda. O sucesso da hamburgueria Shake Shack, que nasceu de um carrinho de hot dog para apoiar a entidade de conservação do Madison Square Park em 2001 explica um pouco da relação desse público com a comida. Em 2004 conseguiram a licença para um quiosque de hambúrguer nessa mesma praça e hoje estão em 45 endereços nos EUA e presença internacional na Turquia, Japão, Oriente Médio, Rússia e Reino Unido. Essa história (e os deliciosos hambúrgueres, claro), ajudam a explicar seu sucesso.

Marian Salzman, CEO da Havas PR North America, comentou que uma das grandes tendências de mercado seria o desaparecimento do hábito de preparar alimentos a partir de ingredientes frescos em casa. Numa época em que programas e livros de culinária fazem grande sucesso e que os chefs são tratados como celebridades, soa paradoxal. Mas, quantos, de verdade, reproduzem aquelas receitas em casa?

Sem abandonar a preocupação com a saúde e a origem dos ingredientes, a palestrante vislumbra haver espaço enorme para as refeições fáceis de preparar, desde que saudáveis e não-processadas. Alimentos que possam ser preparados facilmente em casa, quase prontos, com grande apelo à comodidade, são uma grande oportunidade para fabricantes e varejistas. Salzman alerta que quanto mais o varejo estiver envolvido com o fornecimento desse tipo de alimento, mais deverá se preocupar com sua qualidade nutricional e saúde dos seus clientes.

Resumindo

Mais do que nunca, a loja física marcou presença esse ano. Tem seu lugar indispensável no mix varejista, mas deve ser repensada. Seu novo papel é de fortalecer a marca, intensificar a experiência do consumidor com os produtos e serviços, tirá-lo da rotina, transportá-lo para momentos de prazer e relaxamento. Mas isso não basta. A riqueza de dados à disposição do varejista permite que a experiência do cliente seja cada vez mais personalizada, que suas preferências e gostos sejam conhecidos, que seu momento de vida seja considerado nas ofertas e comunicações da empresa. A junção de tecnologia, ambiente de loja inspirador e, sobretudo, equipe (gente!) motivada e qualificada para entregar atendimento inspirador continuará fazendo toda a diferença.

NRF 2012: novos aprendizados e velhas constatações (3/7)

Conforme prometido ema postagens anteriores, segue a continuação das minhas impressões sobre a convenção da NRF (National Retail Federation), na sua edição 101, que aconteceu enre 15 e 18 de janeiro de 2012. Lembro que dividi minhas impressões gerais em 7 postagens, conforme abaixo:

  • Interdependência e globalização (já publicada em 1/3/2012)
  • Brasil, a bola da vez  (já publicada em 5/3/2012)
  • Capitalismo consciente (essa aqui que você está lendo)
  • Sustentabilidade
  • Techo-commerce
  • O papel da loja física
  • Velhas constatações, uma espécie de resumo do aprendizado das 12 últimas NRF´s que frequentei.

Boa leitura!

Capitalismo consciente

Talvez uma possível resposta à necessidade de reformas que os países desenvolvidos precisem fazer, pela primeira vez na NRF se tratou em uma Super Session do tema “capitalismo consciente”. De forma resumida, o capitalismo consciente vai contra o pensamento de Milton Friedman, que pressupõe que a empresa deve ser orientada para deixar o acionista feliz. Sem esquecer o acionista, essa nova forma de pensar considera também os demais “stakeholders”, incluindo funcionários, clientes, fornecedores e a comunidade em geral como merecedores dessa felicidade. O negócio, portanto, deve ser olhado de uma forma mais ampla, na qual as marcas devem ter um propósito, uma cultura concreta, liderança consciente e serem orientadas para todos os “stakeholders”.

E essa forma de encarar o negócio dá resultados. Segundo estudo de Wharton, as empresas listadas na bolsa de Nova York (S&P 500) que seguem os princípios do capitalismo consciente geram nove vezes mais lucro que as tradicionais.

Na convenção da NRF desse ano dois exemplos marcantes de varejistas mais conscientes foram o Whole Foods e a The Container Store. O CEO do primeiro, conhecida rede de supermercados orgânicos, Walter Robb, afirmou: “Queremos mudar a forma como o mundo come e promover a saúde. Queremos mudar o modelo de agrícola para construir um mundo sustentável”.

Já Kip Tindell, presidente da The Container Store, uma rede artigos diversos para organização do lar, com cerca de 40 lojas, vendas de US$ 650 milhões por ano, 4.000 empregados e presente da lista da revista Fortune das “100 Melhores Empresas para Tabalhar ” seguidamente nos últimos doze anos afirmou: “Esse modelo (o tradicional) não funciona mais. A empresa que faz o funcionário feliz, deixa o cliente feliz. Se eles estiverem felizes, os acionistas estarão. Capitalismo consciente pode mudar o mundo”.

Uma fala diferente, promissora e consciente.


AMERICANAS E CASA&VÍDEO PODEM PASSAR LUIZA

Segue texto no O Globo de hoje com minha análise sobre o possível casamento.

Boa leitura.

(:)

Operação seria de R$ 910 milhões, segundo fonte. Especialistas ressaltam que negócio pode trazer riscos

Fabiana Ribeiro, Bruno Villas Bôas e Ronaldo D’Ercole

As Lojas Americanas terão de pagar, no mínimo, R$ 910 milhões pela compra da Casa&Video, revelou ontem uma fonte envolvida nas negociações entre as empresas.

As conversas entre as duas empresas já começaram, mas o acordo pode não sair este ano. Alguns analistas lembram que há risco no negócio, mas há quem observe que, comprando a Casa&Video, as Lojas Americanas ultrapassariam a Magazine Luiza.

— Com a aquisição, as Lojas Americanas deixariam para trás a Magazine Luiza, cada vez mais isolada no setor de varejo — afirmou Cláudio Goldberg, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Segundo analistas, as Lojas Americanas buscam com a possível compra da Casa&Video acompanhar o processo de consolidação do varejo brasileiro. No ano passado, Pão de Açúcar adquiriu o Ponto Frio e está em processo de fusão com as Casas Bahia. Já a Ricardo Eletro e a Insinuante uniram as operações.

— As Lojas Americanas compraram a Blockbuster em 2007 e, desde então, ficaram fora do processo de consolidação do setor. A Casa&Video é uma opção para ganhar força — afirma Rafael Cintra, analista de varejo da Link Investimentos.

Alguns analistas, contudo, consideram que um acordo pode se tornar uma operação de risco.

— A Casa&Video não será vendida por um valor abaixo de 70% da sua venda anual, de R$ 1,3 bilhão. Hoje, com a reestruturação judicial, a varejista está com custos menores e com processos mais eficientes — disse a fonte, acrescentando que a rede reduziu o número de funcionários de seis mil para cerca de 3.500.

Mas a dívida da companhia — de R$ 235 milhões — é um ponto de dúvida para muitos analistas.  O total pode ser pago em até dez anos, com carência de mais três.

Segundo analistas, a Casa&Video é livre de qualquer contingência e passivo da antiga rede, ficando responsável apenas pelo pagamento da dívida reestruturada com fornecedores e bancos. Não há dívidas trabalhistas.

Vale lembrar que, em novembro de 2009, foi concluído o encerramento das atividades da antiga Casa&Video.

— É uma operação de risco para as Lojas Americanas, já que a empresa também tem certo nível de endividamento. Além disso, a gestão da Casa&Video é bem diferente da das Lojas Americanas, que são mais profissionais.

É preciso olhar muito os números da empresa para não ter surpresas — disse Goldberg.

— Essa transação pode trazer dívidas sobre as dívidas já existentes das Lojas Americanas.

Um acordo entre as varejistas tem de fechar numa equação positiva. Se não, é algo arriscado — disse um analista de mercado.

Para especialistas, o acordo entre as partes poderia garantir à compradora uma forte redução nos custos. Cerca de 50% dos fornecedores e 50% dos produtos da Casa&Video são os mesmos dos das Lojas Americanas. A união, dizem, daria fôlego à expansão desta última. Afinal, ganharia mais cerca de 70 lojas, e isso mesmo que os imóveis não sejam necessariamente da Casa&Video.

Para analista, ‘namoro’ não está pesando sobre ações Para especialistas, o objetivo das Lojas Americanas seria colocar uma bandeira forte no segmento tradicional do varejo de eletroeletrônicos e móveis, onde reinam redes como Casas Bahia, Ponto Frio e Ricardo Eletro, entre outras.

— A Casa&Video é de longe mais atraente ao consumidor carioca que as Americanas — observa Jaime Troiano, presidente do Grupo Troiano de Branding, que ainda vê ganhos operacionais na união. — São duas marcas que falam línguas próprias, mas que juntas atenderiam a uma demanda muito mais abrangente.

Maurício Morgado, professor do Centro de Excelência em varejo da FGV, classificou a união das redes como um casamento estranho.

— É difícil ver sinergia entre as duas marcas. Americanas e Casa&Video são negócios com formatos diferentes. Então, o negócio se justificaria como uma estratégia de multicanais, com as Americanas ganhando uma marca forte no varejo tradicional de eletroeletrônicos, segmento em que já são líderes no varejo on-line, com Submarino.
com e Americanas.com.

Ontem, as ações PN (preferenciais, sem direito a voto) das Lojas Americanas chegaram a recuar 1,81% pela manhã, mas fecharam o dia em queda de 0,91%.

Cintra não acredita que o “namoro” esteja se refletindo nos papéis das Lojas Americanas negociados na Bolsa de Valores de São Paulo. Segundo ele, não há ainda detalhes sobre a operação, e o comunicado das Lojas Americanas deixou claro que as negociações são preliminares.

Fonte:   O Globo – RJ – 01/07/2010

Inovação: as 13 respostas do varejo

Tive a honra de ter sido convidado para escrever na edição de número um da revista NO VAREJO. Confira a seguir o início do artigo e depois clique para ver a versão completa.

Afinal de contas, o que é inovação? A palavra anda meio desgastada ultimamente. Já vi chamarem de inovação até novos sabores de produtos alimentícios – e olha que eram sabores muito esquisitos. Além do lado da novidade, a inovação tem de ser relevante para o consumidor, tem de resolver ou ajudar sua vida, mudá-la em algum aspecto, de preferência para melhor. Se isso não acontecer, não faz sentido investir em inovação. O retorno não vem. No varejo, a inovação mais fácil de acontecer é a que vem nos conceitos (ou formatos) de loja, ou seja, o varejista oferece um “pacote” que transmite uma certa mensagem a um certo tipo de cliente, que a decodificada e, de preferência, aprecia. O Starbucks é um exemplo de sucesso desse “empacotamento”.

Mas a inovação também pode se dar nos processos, na forma de trabalhar e conduzir os negócios. O fenômeno do fast-fashion, com a Zara como seu ícone máximo, é, sem dúvida, uma inovação em processos muito bem recebida pelo cliente. A futura e esperada implementação do RFID, as etiquetas inteligentes que, por radiofreqüência “falam” onde os produtos estão, também poderá ser um exemplo de inovação em processos que trarão grandes benefícios aos consumidores.

Afinal, quais são as inovações que têm surgido no varejo? Devidamente explicadas por movimentos de mercado, seguem as 13 principais correntes de inovação no varejo.

(clique para ler sobre as treze tendências…)