Argos já era omnichannel antes de inventarem o termo

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A Argos é uma varejista britânica de catálogos que opera no Reino Unido e na Irlanda, e hoje é uma subsidiária da Sainsbury’s desde 2016. A empresa comercializa tanto em lojas físicas, quanto online, com mais de 845 lojas de varejo, recebe 29 milhões de clientes por ano nas lojas físicas e quase um bilhão de visitantes online por ano, sendo hoje um dos maiores varejistas de rua do Reino Unido. Foi fundada em 13 de novembro de 1972, por Richard Tompkins e, curiosamente já pertenceu à BAT (Souza Cruz, Brasil).

A foto acima mostra uma loja de rua e a outra aqui em baixo, no corredor de entrada de um supermercado Sainsbury’s.

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O mais interessante é que essas 845 lojas praticamente não têm estoque. Funcionam como pontos de pedido nos quais o cliente folheia catálogos ou acessa tablets para encomendar a mercadoria que vai ser entregue na sua casa depois. Itens menores, como celulares, por exemplo, poderão estar disponíveis para levar na hora, mas geladeiras, fogões e big tickets em geral, tipicamente serão entregues na casa do cliente depois.

Catálogos para consulta na loja

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Recentemente iniciaram vendas com tablets

Interessante também é que nas lojas não há exposição de produtos. Os que estão disponíveis para levar ficam no estoque, bem guardados e escondidinhos. Veja na foto a seguir o balcão de atendimento dos clientes (que esperam em fila única) e, ao fundo, à direita, o estoque da loja.

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IMG_20180504_121120085Comprando até 18h00, a entrega de certos produtos pode acontecer até 22h00.

 

 

 

 

O futuro do varejo é personalizado. E inteligente.

Por Maurício Morgado
para a Revista Gôndola (nr. 261 março 2018)

Um braço mecânico segurava elegantemente uma caneta tinteiro e escrevia sozinho, em letra cursiva, uma a uma, cartas personalizadas, para os clientes. Esse robô, ou impressora, não sei, havia sido “treinado” a usar a caligrafia de quem assinaria a carta. E o treinamento foi tão bom que, assim como nós, as mesmas letras tinham ligeiras variações quando usadas em palavras diferentes. A desconcertante surpresa de ver uma máquina escrever “à mão” – veja vídeo abaixo – mostra um pouco do que foi visitar o Big Show, a convenção da NRF esse ano. O evento recebeu 35.000 visitantes, de 95 países. Estima-se que o Brasil tenha enviado 2.000 participantes.

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Walmart foi às compras

O gigante de Bentonville está reagindo ao crescimento da Amazon, do Google e do Alibaba. Ou pelo menos se preparando fortemente para tal. Para isso, foi às compras e adquiriu uma série de empresas com forte presença e tecnologias para atuação no mundo online. Veja só a lista:

  • 1. Bonobos
    • Vestuário masculino, adquirida em abril de 2017 por US$ 310 mi
  • 2. Modcloth.com
    • Roupas femininas estilo vintage, incorporada em março 2017 por algo entre US$ 50 a 75 mi
  • 3. Moosejaw
    • Vende equipamento esportivo, permitindo acesso a marcas como Patagonia e North Face, comprada em fevereiro 2017 por US$ 50 mi
  • 4. Hayneedle.com
    • Loja de móveis online, arrematada em fevereiro 2017 por US$ 90 mi
  • 5. Shoebuy.com
    • Calçados online, levada em janeiro 2017 por US$ 70 mi
  • 6. Jet.com
    • Varejista que mais parece um Target online, dono da tecnologia smartcart, primeira aquisição de peso, em agosto 2016 por US$ 3,3 bi (sim, bilhões)

Fonte: www.thestreet.com

Além disso, o gigante tem testado maneiras bem omnichannel de operar, como essa iniciativa de entrega de compras DIRETAMENTE NA GELADEIRA, na casa do cliente. A parceria é com a empresa de fechaduras digitais (smart locks) August. Acompanhe no vídeo a seguir.

Robôs para entrega domiciliar já estão operando

Que tal ter suas encomendas e mantimentos entregues por um carrinho robotizado? Os robôs da Starship foram concebidos para transportar o equivalente a duas sacolas de compras e a operar dentro de um raio de 2 milhas (3 km). Os pedidos podem ser feitos por um aplicativo, por exemplo, e a entrega demora de 5 a 30 minutos, incluindo desde a colocação da carga até a entrega. A viagem inteira dos robôs pode ser monitorada pelo smartphone do cliente.

Preocupado com a segurança? Assista os vídeos para saber como esse veículo de 18 quilos pode se defender.

Hema Market – o futuro do supermercado está na China

 

O Hema Market, do grupo Alibaba, foi lançado em 2015 e já é um grande case de integração online e offline.  Muito focado em conveniência, ali é possível:

  • Comprar produtos frescos para cozinhar em casa
  • Encomendar comida fresca, tê-la preparada pelos chefs no próprio supermercado e receber a entrega em até 30 minutos
  • Comprar os produtos frescos, ter os chefs preparando a comida na sua frente para você levar e depois comer em casa
  • Comprar os produtos frescos, ter os chefs preparando e posterior entrega na sua casa ou escritório próximo da loja.
  • Comprar produtos preparados e comer ali na loja mesmo
  • Fazer as compras tradicionais de supermercados

Note no filme um carrossel de sacolas preso ao teto da loja. São mercadorias separadas pelos funcionários para atender encomendas de clientes. Um aplicativo permite saber sobre a origem e data de validade dos produtos enquanto o cliente navega pela loja. Os pagamentos são feitos pelo Alipay, a plataforma de pagamentos móveis do grupo Alibaba. Os dados coletados nas transações são usados para personalizar as recomendações de compra, enquanto os dados geográficos ajudam a planejar rotas de entrega mais eficientes.

Rebecca Minkoff, onde online e offline se encontram.

A Rebecca Minkoff, varejista de moda feminina dos Estados Unidos, usa  novas tecnologias para captar informações e oferecer serviços adicionais aos clientes de um jeito impressionante. Na entrada da loja, há uma gigantesca tela touch, que também faz as vezes de espelho. Navegando nessa tela, as clientes podem acessar o catálogo da loja e indicar os produtos que gostariam de experimentar. Uma mensagem ao celular cadastrado indica para qual provador devem se dirigir. As clientes também podem solicitar gratuitamente água, chá, espumante ou café expresso – e recebem outra mensagem de texto tão logo a sua bebida esteja pronta.

Dentro do provador, a interação digital continua forte, em espelhos que também funcionam como telas sensíveis ao toque. A cliente pode mudar a iluminação, simulando luz do dia, entardecer, noturna, etc. Como todas as mercadorias levam etiquetas RFID, cada vez que uma nova peça é trazida para o provador, o sistema reconhece sua entrada, passando a apresentar sua imagem na tela. Uma grande vantagem do sistema é permitir ao varejista acompanhar os itens levados até o provador e que não foram comprados, os “carrinhos abandonados”. Isso gera a possibilidade de follow-ups de vendas para as clientes. O acompanhamento das compras em detalhe, também permite traçar perfis e tipologias de clientes. E toda a interação fica gravada no histórico de compras da  cliente, em mais uma demonstração de como o offline tem emprestado ideias do online.

A parceria da iniciativa é com a e-Bay,

Futuro do varejo vai além da tecnologia: é preciso ser humano, criativo e customizado

Essa foi a cobertura da Época Negócios ao nosso evento Tendências de Varejo.

 

POR BARBARA BIGARELLI

Saber aplicar novas tecnologias dentro e fora da loja, estar bem posicionado em todas as plataformas e oferecer um novo serviço não bastará para atrair os consumidores millennials e ter sucesso no varejo. Um futuro (feliz) para as empresas perpassa inovações que possam oferecer personalização, facilidade, transparência nos preços, propósito de marca, bem-estar aos funcionários e uma experiência criativa ao consumidor. As tendências foram apontadas por professores do centro de varejo da Fundação Getulio Vargas (FGV), em congresso realizado nesta quarta-feira (21/02), em São Paulo. Os professores partiram de experiências que vivenciaram em visita recente às lojas em Nova York e daquilo que viram em janeiro durante a NRF 2018, a maior feira mundial do setor.

Todas as tendências buscam, em maior ou menor escala, responder aos desafios que o varejo enfrenta atualmente. O caminho para as pessoas alcançarem (e cobrarem) as empresas foi transformado com as mídias sociais, a forma de consumo foi impactada por novos modelos que compartilham produtos e serviços e a chegada de consumidores millennials mostrou que é preciso olhar mais para propósito – e não somente para a lucro. “Os hábitos de consumo mudaram. Vemos uma geração nova que gosta da boa vida, mas que não precisa mais comprar. Estão satisfeitos, por exemplo, em compartilhar”, diz Marcos Fernandes Gonçalves, da FGV EAESP.

O professor cita que é preciso atentar-se às “ideologias” desse jovem consumidor. O que envolve discutir questões que o varejo por muito tempo ignorou, como diversidade, gênero e transparência sobre preço. “Antes, nós apenas gostávamos das marcas, agora essa relação envolve ter afinidade com elas – você gosta dos valores, princípios e propósitos que ela defende. E, por isso, compra lá”, diz Juracy Parente, da FGV EAESP. Parte dessa criação de afinidade com os consumidores perpassa olhar para dentro da empresa, na relação cultivada com os funcionários (seja promovendo a diversidade, o treinamento ou melhorando o bem-estar) . “Não por acaso que as melhores empresas para se trabalhar são as melhores para fazer compras”, diz Parente citando a rede de supermercados Wegman e a varejista The Cointainer Store.

As duas redes estão no topo da lista de melhores empresas para se trabalhar da Fortune, bem como mantêm alto índice de vendas. “O exemplo delas mostra que funcionários mais felizes atendem melhor os consumidores, melhorando a experiência e número de vendas”, diz o professor. De acordo com Parente, o discurso do movimento Capitalismo Consciente, criado em 2013 para estimular empresas mais humanas e com maior propósito, ganhou evidência na NRF deste ano. “As empresas estão sendo mais cobradas pelos seus consumidores para pensarem além do lucro. No fim, estão percebendo que empresas conscientes dão e recebem mais”.

A empresa pode ser consciente, ter propósito e olhar para as novas tecnologias. Mas também precisa investir em novas experiências de consumo. Segundo Mauricio Morgado, da FGV EAESP, a loja do futuro também incluirá oferecer produtos personalizados – que possam ser criados no momento e do jeito que o consumidor deseja. Além disso, é preciso criar diversão e encantar na hora da compra. “O varejo é cada vez mais entretenimento”, afirma Henrique Campos Junior, da FGV EAESP. “É preciso pensar em como a presença física pode aumentar as vendas online e vice-versa”. E, neste aspecto, vale aprender a usar todas as novas tecnologias: do big data à realidade virtual. Uma das grandes novidades que tem impactado o setor é a presença dos assistentes virtuais (como Google Home e Alexa) na experiência de consumo das pessoas. Atualmente, 25 milhões de lares americanos já possuem um, segundo a Voiceboot Future Source. O assistente virtual é capaz de chamar um Uber, pedir comida ou comprar um produto no Ebay.

Abaixo, separamos exemplos citados pelos professores de empresas que têm inovado no varejo – seja com tecnologia, seja com criatividade. Confira:

Aplicativo de Realidade Virtual e Aumentada da IEKA (Foto: Divulgação)APLICATIVO DE REALIDADE VIRTUAL E AUMENTADA DA IKEA: SIMULE COMO FICARIA UM MÓVEL NA SUA CASA – DIRETO DA SUA CASA  (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Realidade Virtual e Aumentada

– Aplicativo da loja sueca IKEA permite que consumidores utilizem as tecnologias para simularem como um móvel ficaria na sua casa. As simulações são feitas a partir de uma foto do espaço vazio e o produto é inserido considerando a decoração e outros objetos da casa. Se o consumidor curtir, pode comprar ali mesmo, na hora.

– Na varejista alemã Saturn, consumidores podem caminhar pelas lojas com um óculos de realidade virtual (desenvolvido em parceria com a Microsoft) e receber informações adicionais sobre um produto à medida que passam por ele. No tour pela loja, um assistente virtual também os acompanha, respondendo dúvidas específicas.

– A empresa francesa Castorama inventou um papel de parede interativo. A ideia é oferecer mais conteúdo às crianças do que apenas desenhos colados na parede. Através de um tablet ou celular, a criança pode escanear o desenho – e, a partir dali, vão surgir jogos, brincadeiras ou alguma forma de aprendizado.

Personalização 

– Há lojas da Brooklyn Denim que mais parecem um ateliê, segundo Mauricio Morgado. Ali, a bagunça é proposital. O clientes podem personalizar suas próprias calças ou levá-las ali para realizarem ajustes. Uma experiência além da compra e troca tradicional.

– Há lojas da marca de coméstico Sephora onde os clientes já podem testar produtos de forma digital. Escolhido um batom, por exemplo, um totem projetará no seu lábio em tempo real. Você vê a aplicação na hora.

– A Adidas percebeu que, na hora de personalizar os tênis – uma experiência que poderia ser realizada online – as pessoas tinham dúvidas sobre cores e material do produto. Em algumas lojas, oferece vários modelos de tênis brancos – sem personalização alguma. E disponibiliza os materiais ali, bem à vista. Depois de testado, os clientes podem montar o tênis que gostariam pela internet.

– Bond: uma startup de Nova York criou robôs que personalizam cartas escritas à mão. A máquina consegue copiar a caligrafia de um ser humano e transferí-la direto para o papel. Simula até imperfeições.

A Loja do Futuro 

Os professores citaram a nova loja da Amazon, em Seattle, que permite que os consumidores entrem, peguem o que desejam e saiam sem pegar filas ou passar pelo caixa. Todo o registro de compra é feito pelo celular – de forma automática pela loja.

Amazon Go, em Seattle (Foto: Divulgação)AMAZON GO, EM SEATTLE: CLIENTE PODE ENTRAR NA LOJA E SAIR SEM PASSAR POR FILAS E CAIXAS  (FOTO: DIVULGAÇÃO)

 

Experiência do Futuro 

– A Allbirds é uma loja de sapatos com um portfólio básico e pouca variedade. O que ela afirma vender, a um preço médio de US$ 90, é conforto. O que chamou atenção dos professores da FGV, porém, foi a experiência que a empresa proporciona em suas lojas – desde a forma como expõe produtos (em meio a desenhos na parede, sem prateleiras tradicionais) até os espaços confortáveis para as pessoas experimentarem. O detalhe, porém, é que as pessoas ficam sentadas em frente a uma bancada, de onde sai o tênis em uma caixa. “Parecia impossível que alguém pudesse inovar na hora das pessoas experimentarem os sapatos, mas a Allbirds conseguiu. Desta forma, nenhum vendedor precisa se abaixar para entregar a caixa de sapato ao cliente”, diz Mauricio Morgado. O cliente também pode se divertir escolhendo a cor de seu cadarço e testando-o em uma instalação que lembra uma roda de corrida de hamster.

Espaço Lululemon na Quinta Avenida, em Nova York (Foto: Reprodução Twitter)ESPAÇO LULULEMON NA QUINTA AVENIDA, EM NOVA YORK. PESSOAS PODEM ENTRAR ALI E SE JOGAR NO SOFÁ COM FONE ANTIRUÍDO (FOTO: REPRODUÇÃO TWITTER)

– Uma loja da lululemon, especializada em vestuário esportivo – principalmente para quem faz yoga – criou um espaço apenas para as pessoas relaxarem. No meio da 5ª Avenida, em Nova York, é possível dar uma paradinha e se sentar em um sofá confortável para realizar exercícios de respiração com um fone de ouvido antiruído.

Posicionamento

– Os professores descobriram uma empresa brasileira em Nova York que tem inovado na hora criar relações com os clientes. Ao contrário da imensa maioria de loja de produtos pet, a Zeedog tem apenas 20 metros quadrados, vendendo um portfólio bem restrito com produtos criativos, divertidos e bem feitos. O lema da empresa é conectar as pessoas a cachorros.

Coleira da Zeedog (Foto: Reprodução Instagram Zeedog)COLEIRA DA ZEEDOG; MARCA QUER CRIAR NOVO TIPO DE CONEXÃO ENTRE PESSOAS E CACHORROS ATRAVÉS DE PRODUTOS CRIATIVOS (FOTO: REPRODUÇÃO INSTAGRAM ZEEDOG)
Segue o link no site da Época Negócios

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