Varejo tem o pior resultado em 11 anos!

Hoje saiu a PMC, a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE. Veja no gráfico abaixo como o índice dessazonalizado mostra uma paradeira no varejo desde março de 2013. Houve uma pequena retomada no segundo semestre de 2014 mas o Natal decepcionou. Os níveis de venda do Natal de 2014 foram praticamente os mesmos do Natal de 2013, com um crescimento de somente 0,3%. No geral, a variação acumulada dos últimos doze meses, foi de 2,2%, o pior resultado desse tipo nos últimos 11 anos, segundo o Valor.

No post anterior mostrei que a confiança do consumidor andava baixa. Do empresário do  varejo idem – segundo o IBRE, da FGV, está no pior nível desde que tal indicador começou a ser levantado.

O Natal na sua casa não foi mais conservador?

PMC fev 2015

Agora a queda da confiança do consumidor chegou forte ao varejo

Confiança x PMC

Durante os últimos dez anos o desempenho do varejo parecia imune (ou muito pouco afetado) pela confiança do consumidor. Episódios como o escândalo do mensalão em 2005 ou a crise de 2008 tinham pouco efeito no varejo. A confiança caia, mas as vendas continuavam. Marolinhas.

Agora parece que a coisa pegou mesmo. A partir do começo deste ano a confiança despencou e, com ela, as vendas do varejo. Acompanhe no gráfico acima como as coisas se complicam a partir de janeiro de 2014. A nuvem escura está sobre nossas cabeças. Quando os efeitos chegarem ao emprego, aí é que o varejo vai sentir mesmo.

Observações:
O quadro fica pior se considerarmos o varejo ampliado, que inclui automóveis e não está representado no gráfico.
Os dados de confiança são para a cidade de São Paulo somente, por falta de um dado nacional à mão agora.
A correlação do ICEA com a PMC é de 57% no período analisado.

Varejo e crédito: correlação de 97,6%

Que o varejo depende da evolução do crédito não resta dúvida. O que eu não conseguia visualizar é quão forte era essa relação. Comparando o indicador “Vendas Reais – Varejo – Índice Dessazonalizado” da Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, com o “Operações de Crédito do Sistema Financeiro (Comércio)” do Banco Central do Brasil descobri uma correlação de 97,6% entre os dois indicadores. Andam de mãos dadas … e bem apertadinhas. Veja no quadro abaixo como as duas curvas se comportam.

Desempenho do varejo por ramo de atividade

Em complemento à postagem anterior, analiso agora os dados de desempenho por ramo de atividade do varejo, com base na Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE.

Percebemos que os setores de móveis e eletrodomésticos e os varejistas especializados em veículos têm experimentado um desempenho bastante superior à média do varejo, quando consideramos dados desde janeiro de 2003. Já tecidos, vestuário e calçados e os hipermercados e supermercados têm experimentado desempenho inferior à média do varejo em geral.

Veja esse comportamento no gráfico a seguir:

Clique na imagem para vê-la ampliada

Calibrando a bola de cristal

Minha bola de cristal apontava um Natal 2007 10,5% maior que o Natal 2006. Bem, na realidade a bola de cristal precisa de uma ligeira calibragem – os dados reais da Pesquisa Mensal do Comércio recentemente divulgados apontaram 8,97% de crescimento entre o natal desses dois anos.
De qualquer forma, quase 9% de crescimento não é de se jogar fora. O varejo brasileiro (e a economia do país) mostrou força e nos deixa otimistas para 2008. O Índice de Confiança do Consumidor da Fecomércio continua em alta, o crédito favorecido, o desemprego segue em redução e a renda aumentando.
A recessão nos EUA? Colegas economistas dizem que podemos escapar sem muitos ferimentos dessa situação. Muitos dos produtos que exportamos estão com preços em alta (commodities agrícolas como etanol e soja e até mesmo aviões, por exemplo) e isso compensaria, para o exportador, as baixas taxas do dólar. A aposta deles é que a força do mercado interno vai manter a chama da economia acesa em 2008. Esperemos que estejam certos.
Logo abaixo o gráfico com a evolução dos natais desde 2000, já incluindo os dados reais de dezembro de 2007. Já era hora de começarmos a ter boas notícias nesse campo, não é mesmo?
É isso. Sorte e boas vendas em 2008!

Natal 2007: retrovisores e oráculos apontam para crescimento de 10,5%

Dizem que fazer previsões utilizando dados do passado é como dirigir um automóvel olhando pelo retrovisor. Bem, que alternativa temos? Dados do futuro não existem mesmo… pelo menos por enquanto…
Então, o que o retrovisor diz sobre as vendas do varejo no Natal de 2007? Projeções estatísticas (método Winters – obrigado prof. Laredo!) apontam para um crescimento de 9,8% sobre o Natal do ano passado se projetarmos a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE. Caso projetemos o número de consultas ao SPC, esse crescimento ficaria em 10,95%.

Tratando-se de uma dado tão importante, a diferença entre as duas projeções é bastante significativa. Como desempatar? Oráculo? Cartas? Búzios? Tarot? Opto pelo oráculo – se não der certo a culpa foi da sacerdotisa. Meu oráculo sinaliza 10,5% de crescimento, balizado pelos seguintes indicadores, todos apontando boas notícias:

+A taxa de desemprego calculada pelo IBGE para outubro atingiu 8,7%, a menor desde os últimos 5 anos.

+O rendimento médio real apurado pelo IBGE em outubro (R$ 1.123,60) ainda não alcançou o pico do mês equivalente em 2002, mas a curva total sinaliza crescimento na renda.
Estudo recente do Latin Panel mostrou que a renda das classes A e B (que recebem acima de dez salários mínimos por mês) aumentou 7,3% em 2007. Segundo o mesmo estudo, a classe C teve crescimento de 4% na renda e as classes D e E 2%. (OESP 9/11/2007 – pág. B 12).

+O Índice de Confiança do Consumidor da Fecomércio, desenhado para captar o “humor”, atingiu agora em novembro 138,7 pontos, seu maior nível desde maio de 2006, reflexo natural de tantas boas notícias.

+Ainda há outros fatores que também estão ajudando: juros em queda, abundância e facilidade de crédito e a taxa de câmbio do dólar, favorecendo a entrada e barateamento de importados, especialmente eletrônicos.

Com tudo isso a favor, podemos apostar que o Papai Noel trará um Natal 10,5% melhor que o de 2006. A menos que o trenó sofra algum problema de tráfego aéreo ou que os controladores de rena entrem em greve.

É isso.