NRF 2013 – Novidades e um pouco mais do mesmo

por Maurício Morgado

A convenção da NRF deste ano mostrou uma dose bem maior de otimismo que a dos dois anos anteriores. Voltou-se a falar de resultados positivos, de crescimento nas vendas e de novas ideias, além de muitos pontos tradicionais terem sido reforçados. Somando o que foi discutido nas diversas sessões com as visitas técnicas que realizamos, podemos resumir o aprendizado desse ano em sete grandes pontos. Vamos a eles.

1) Personalização

O desejo da personalização, de possuir artigos e objetos exclusivos e diferenciados, sempre acompanhou o homem. Hoje em dia, com o uso intensivo de tecnologia, a personalização pode ser massificada e os varejistas estão tirando proveito disso, sempre é claro, utilizando essa oportunidade para armazenar muitas informações do cliente e alimentar enormes bancos de dados com esses preciosos dados individuais.

Três exemplos de personalização chamaram muito a atenção esse ano. O primeiro deles é o da Raleigh, uma pequena fábrica de jeans norte-americana que os comercializa ao redor US$ 250,00. Com produção limitada, cada peça é literalmente assinada mo lado interno da calça pela pessoa que o costurou. E a loja faz questão de dizer que a produção é feita nos EUA.

Continuando no mundo dos jeans, a Levi’s é, por mais estranho que possa parecer, o próximo exemplo de personalização. Com seu projeto Made to Order, no Meat Packing District, os clientes têm a oportunidade de construir um par de jeans feito sob encomenda a partir do zero, incluindo a seleção de materiais, costura sob medida e a aplicação de detalhes de design na peça.

A Converse, mais conhecida entre nós pelos tênis All Star, agora permite que seus clientes escolham estampas diferenciadas consultando diversos tablets disponíveis num balcão da loja. A estampa escolhida pode ser ainda alterada pelo cliente através do próprio software e depois impressa nos tênis básicos por uma grande impressora instalada à vista de todos no piso da loja. Depois de algumas horas o cliente poder retirar seu All Star exclusivo.

2) Inovação

Quase sempre ligamos inovação à alta tecnologia, muita ciência, anos de pesquisa, etc. É claro que isso traz inovação mas, muitas vezes, ideias baseadas em baixa tecnologia impactam tanto quanto as mais sofisticadas. O Shake Shack, uma rede de hambúrgueres muito saborosos, inova ao criar um menu para cachorros na sua loja do Madison Square Park, muito frequentado por pessoas passeando com seus animais de estimação. A Little Mismatched não vende meias em pares, o faz em trios – e as três meias são diferentes! O sucesso foi tão grande que as estampas e o estilo da empresa agora estão presentes em brinquedos e roupa de cama. Um outro exemplo de baixa tecnologia com grande impacto é o da Sephora ao disponibilizar verdadeiros camarins cinematográficos para que as clientes possam testar as maquiagens vendidas pela empresa.

Há também muitos exemplos de inovação com uso de tecnologia, nem sempre tão sofisticada assim. Três casos chamaram a atenção. O primeiro deles é também da Sephora que disponibiliza um aplicativo dentro de suas lojas no qual, através de menus interativos, permite à cliente escolher o perfume que mais combina consigo. O segundo caso muito interessante foi apresentado no estande da Intel, em parceria com a McCormick, empresa que fabrica e comercializa temperos. Um totem com um aplicativo divertidíssimo oferece testes para o cliente colocar à prova seu olfato. Após o equipamento aspergir aromas no ar, convida o usuário a tentar adivinhar qual era o tal aroma. Além de muito divertido, o pacote todo cria grande interação e simpatia pela marca.

Uma vending machine da Costa Cafés, empresa inglesa, também chamou muito a atenção no estande da Intel. A máquina, um verdadeiro barista digital, mói café na hora, pedido a pedido. Oferece diversas bebidas à base de café e chocolate e enquanto as prepara, emite sons típicos de um bar e, acredite, libera aromas do que está sendo preparado (na verdade são essências, mas quem se importa). Depois de tudo pronto,entrega a bebida quentinha (o expresso era muito bom) e muito bem apresentada. Um show!

3) Big data

Muito tem se falado da capacidade das empresas armazenarem e analisarem os dados de compras dos clientes. Recentemente ficou famoso o caso do Target, que descobriu antes do pai de uma adolescente que ela estava grávida, apenas pela análise dos gastos da família. A partir do acúmulo e análise de dados sobre os clientes é possível desenvolver ferramentas gerenciais, operacionais, modelos preditivos e ligá-los a programas de CRM.

Um caso muito comentado na NRF desse ano foi o robô Andyvision desenvolvido por uma professora da Carnegie Mellon capaz de circular pelos corredores das lojas e identificar rupturas apenas “conferindo” um planograma previamente carregado em sua memória. Espera-se que o robô também possa dar informações e orientações aos clientes que precisarem.

Outro caso muito interessante foi o de um display interativo da Sears capaz de identificar o gênero e a faixa etária da pessoa que estiver na sua frente. Após essa identificação o display apresenta ofertas e cupons segmentados ao cliente identificado e que podem ser capturados por seu smartphone simplesmente utilizando o aparelho para “acenar” para o display. Caso o cliente libere o acesso a seus dados pelo aplicativo, suas informações pessoais podem ser utilizadas para ofertas futuras e acompanhamento de seu comportamento.

Há também sistemas que coletam informações sobre o fluxo de clientes na loja a partir da filmagem da área de vendas até mesmo pelas câmeras de segurança. Esses dados de fluxo quando cruzados com dados gerados pelo POS podem ser utilizados para cálculo da taxa de conversão de cada loja, além de ajudar no dimensionamento de pessoal e na determinação das áreas quentes e frias do estabelecimento. Esses sistemas já são oferecidos no Brasil e geram informações valiosíssimas para a administração do varejo.

4) Showroomers e Mídias sociais

Acostume-se com a nova palavra incorporada ao jargão do varejo: showroomer. É a pessoa que frequenta a loja para utilizá-la somente como um show room, aproveitando a presença física do produto para analisá-lo e, eventualmente, comprá-lo pela Internet em outro varejista como, por exemplo, a Amazon. Esse novo personagem é tipicamente um homem, de 18 a 34 anos de idade (um millenial), afluente e, sobretudo, INFLUENTE. Exerce essa influência através das mídias sociais podendo ajudar ou prejudicar a imagem de marca da loja e do fabricante. Para sorte dos varejistas, as pesquisas apontam que ele tende a ser simpático às marcas que o deixam em paz nesse processo de pesquisa de produtos.

Esse desejo de protagonizar o processo de compras e de interação com as marcas remete à regra de ouro da administração do relacionamento através das mídias sociais: ouça-interaja-reaja-venda. Isso quer dizer que as empresas devem estar atentas ao que se fala sobre elas nas mídias sociais, interagir com esses protagonistas, reagir às suas demandas, reclamações ou elogios para, só depois disso, tentarem vender-lhes algo.

Um caso interessante de integração do mundo virtual ao real é o da Piperlime, varejista online do grupo da Gap e que abriu sua primeira loja física no Soho. Com cerca de 400 m2, ar limpo e moderno, a loja assume ser um showroom, procura fazer curadoria de vestuário e acessórios, ou seja, escolha criteriosa de modelos a partir do perfil do público-alvo. Dentro da loja, quiosques ligam o cliente diretamente à Piperlime.com, dando acesso a produtos adicionais. Os pedidos feitos na loja têm entrega gratuita no dia seguinte. Parece um mundo de ponta-cabeça, não?

5) Comunidade

O tema capitalismo consciente voltou a ser comentado na convenção esse ano e a responsabilidade social, ambiental e econômica, o famoso triple bottom line, apareceu mais uma vez. Isso significa o respeito a todos os stakeholders, os interessados e afetados pela atuação da empresa. Marcou muito a afirmação de Kofi Annan ao dizer que não são necessárias leis para que uma empresa não polua o rio do qual extrai a água utilzada no seu processo produtivo.O presidente da Container Store ressaltou o cuidado que a empresa tem com seus funcionários, o da Whole Foods o fez em relação a seus fornecedores e o da Starbucks reforçou a necessidade dos líderes do varejo se unirem politicamente para terem seus pontos e necessidades melhor representados perante os governos.

Ao ouvirmos tais afirmações sendo feitas por grandes líderes internacionais e presidentes de empresas gigantescas, parece que resta pouco para os pequenos varejistas fazerem. Não é verdade. Temos sempre que lembrar que o varejista, de qualquer porte, vive de sua área de influência, aquele pedaço de terra próximo à sua loja de onde a maioria de seus clientes costuma vir. Para esses, basta ter a noção de que sua comunidade está ali e é para esse entorno que ele deve focar seus esforços. É a vida dessas pessoas que ele deve procurar tocar.

6) Pessoas

Não se faz varejo sem funcionários, sem gente. Outra vez esse tema voltou às falas de diversos palestrantes. Estes ressaltaram a necessidade de engajamento dos funcionários, fazendo-os compreender a proposta da empresa, envolvendo-os através de constantes processos de comunicação.

Dois casos chamaram a atenção nesse particular. A REI, empresa que comercializa material esportivo para atividades ao ar livre, faz questão de ter funcionários identificados com o estilo de vida da empresa. Em uma de suas lojas vimos um quadro denominado “funcionários em ação” repleto de fotos de colaboradores praticando esportes, bem ao estilo do cliente que a empresa pretende atingir.

Outro caso marcante foi sentir “na pele” a vibração dos funcionários do Stew Leonard´s. Tivemos a chance de visitar e empresa e sermos recepcionados pelo próprio Stew Jr. Além de cada funcionário exibir um crachá com seu nome e tempo de casa, falavam da empresa com muito amor e entusiasmo. Definitivamente a liderança de Stew ajuda, mas há algo especial naquelas pessoas e no modo como falam da empresa. Elas, definitivamente, veem o varejo como carreira, ponto defendido por muitos palestrantes esse ano.

7) Posicionamento claro e diferenciado

Lição que se repete todos os anos, a necessidade de ter um posicionamento claro e diferenciado é fundamental. Conceituar a marca na cabeça do cliente é a chave para ser relevante na vida dessas pessoas e, convenhamos, os norte-americanos sabem fazer isso muito bem. O grupo Urban Outfitters, que faturou US$2,473 bilhões no ano fiscal de 2012 faz isso com maestria em três de suas marcas de vestuário: a própria Urban Outfitters, a Free People e a Anthropologie. Três marcas, três públicos e três posicionamentos completamente diferentes, demonstrados aos clientes por produtos, visual de loja e design completamente distintos.

Essa conceituação de marca pode ser usada também para criação, manutenção e revigoramento de conceitos. Um caso marcante de criação de conceito é o da Menscience, uma loja especializada em produtos e tratamentos de beleza para homens, algo, convenhamos, pouco comum no mercado. Produtos, visual da loja e atendimento focados nos homens criam o diferencial da marca.

Já ao construir uma nova mansão na Madison Avenue para abrigar a loja dedicada à sua coleção feminina e produtos para o lar, exatamente na frente da sua loja instalada na Rhinelander Mansion, de 1898, esta totalmente dedicada à linha masculina, fez com que a Ralph Lauren reforçasse a manutenção de seu já tradicional conceito de marca.

Acontece que às vezes é preciso revigorar conceitos que já foram sucesso incontestável. Esse foi o caso da Build-a-Bear. Com apenas 15 anos de estrada, a empresa viu que a atração de sua loja diminuía para as crianças cada vez mais “digitais” dos dias de hoje. Apesar do interesse pelos ursos de pelúcia ainda se manterem, a interação das criança com os elementos da loja necessitava ser revigorada e isso foi feito pela incorporação de novas tecnologias. Por exemplo, o banho no ursinho recém-criado, antes simulado com um sopro de ar, hoje é feito numa tela que apresenta bolhas ao ter o ursinho nas proximidades. Para chegar a essa e outra modificações a empresa contou com um grupo de crianças como consultores. Nada mais adequado.

Bem, independente de você estar criando, reforçando ou revigorando um conceito ou posicionamento, é fundamental, antes de tudo, que você tenha um. Caso isso não esteja claro para você, não o estará para seus funcionários e, sem dúvida, seus clientes também não o perceberão. Por isso, deixamos aqui quatro perguntas que você deve responder para se assegurar que seu posicionamento está claro. Se não conseguir respondê-las a contento, Houston, temos um problema.

  • Qual a razão de existir da sua loja?
  • O que ela veio fazer no mundo?
  • Se sua loja morrer, qual será o seu epitáfio?
  • Quem vai sentir falta dela?

Bons negócios.

Gôndolas virtuais chegam ao Brasil

Estão no Shopping Center Cidade Jardim e são do Pão-de-Açúcar. O cliente baixa um aplicativo, disponível para Iphone ou Android e faz as compras a partir de um leitor de códigos de barra presente no próprio aplicativo. Nessas gôndolas, que têm mais de 300 produtos, utilizaram o QR-code, mas o aplicativo também pode ser usado para montagem de listas de compras em qualquer lugar visto que também reconhece os códigos de barra tradicionais.

É a terceira iniciativa desse tipo no mundo. A primeira foi na Coréia, com uma marca local do Tesco, a segunda no Chile, com o Jumbo, marca da Cencosud. Agora é a vez do Brasil.

 

 

 

 

 

Mobile Shopping: o poder nas mãos do consumidor

De acordo com uma pesquisa realizada pela Nielsen no 1 º trimestre de 2012, a grande maioria (79%) dos proprietários smartphones e tablet nos EUA  têm usado os seus dispositivos móveis para fazer atividades relacionadas a compras . Smartphones são usados ​​com mais freqüência do que os tablets para as atividades realizadas enquanto os consumidores se deslocam, o que é de se esperar. Veja a seguir alguns dados da pesquisa.

  • Localizar uma loja: 73% dos proprietários de smartphones vs 42% dos proprietários de tablets
  • Acessar lista de compras: 42% dos proprietários de smartphones vs 16% dos proprietários de tablets
  • Resgatar um cupom virtual: 36% dos proprietários de smartphones vs 11% dos proprietários de tablets
  • Compras online: 29% dos proprietários de smartphones vs 42% dos proprietários de tablets

Uma das atividades mais populares entre os proprietários de smartphones e proprietários tablet é “pesquisar um item antes de compra” (66% para os proprietários de tablets contra 57% para os proprietários de smartphones). Comparativamente poucos compradores móveis usaram seus aparelhos para pagamentos (27% dos proprietários de smartphones e 28% dos proprietários de tablets), mas esse número deverá aumentar nos próximos anos, visto que sistemas de pagamento mais móveis estão para serem lançados em todo o país, deixando os consumidores norte-americanos mais confortáveis com a ideia de pagamentos móveis.

Veja a matéria na íntegra em http://blog.nielsen.com/nielsenwire/online_mobile/how-us-smartphone-and-tablet-owners-use-their-devices-for-shopping/

Lojas não sabem aproveitar o potencial de consumo de idosos

Segue artigo meu publicado na Folha de hoje (pág. b3). Boa leitura.

No censo de 2010 a participação das pessoas com mais de  65 anos de idade na população atingiu 7,4 %. Isso representa mais de 14 milhões de pessoas. Além de numeroso, esse grupo representa um grande potencial de vendas para o varejo e empresas em geral. Afinal, eles já passaram pelas maiores despesas da vida:  educaram os filhos e construíram e mobiliaram a casa onde vivem. A renda agora é para alimentação, saúde, lazer e para continuar agradando os familiares.

Como entender e atender esses consumidores? O primeiro ponto importante é que eles não se sentem velhos. A pior coisa que uma empresa pode fazer é usar eufemismos como “melhor idade” para se comunicar com eles. Melhor idade é quando eu tinha 20 e poucos anos, muitos vão dizer. Mesmo assim, o estereótipo da velhinha de cabelos brancos usando bengala é absolutamente rejeitado por eles – e com toda razão. Hoje em dia pessoas perto dos 70 anos  não têm cara de velhinha de bengala! Afinal, foram, culturalmente ativos e pioneiros: viram o homem pisar na Lua, viveram como hippies, atuaram na liberação feminina, viveram o regime militar, a revolução sexual, a revolução da informática e da Internet entre tantas outras modificações. Para eles, a idade é um estado de espírito, não um número.

Uma outra diferença fundamental nesse grupo é suas motivações pessoais. Entre os 20 e os 40 anos as pessoas sentem-se imortais, o esforço pessoal é focado em ser alguém e a sensação geral e que é possível moldar o mundo às nossas necessidades. Depois dos 40 anos percebe-se que a realidade não é tão boa assim e as pessoas iniciam uma busca por significado na vida que se estende até seus últimos dias. De maneira geral, até os 40 o foco é no “ser social”, depois dessa idade o foco passa a ser o “eu interior”. Produtos e serviços que satisfaçam essa necessidade têm mais chances junto a esse público.

Mas será que nossas lojas sabem atender esses consumidores?

Não. Um ponto fundamental que elas esquecem é que, independentemente da mentalidade jovem, a idade cobra fisicamente seu preço e as lojas não estão preparadas para isso. Consumidores mais velhos sentem desconforto em ambientes com excesso de estímulos, sua visão perde a capacidade de discernir cores (sem falar nas letras pequenas), sua agilidade e flexibilidade para manusear objetos fica reduzida, além de terem uma tendência a sofrer mais com a obesidade. É patente que as lojas e os produtos não são desenhados para ajudá-los a superar essas dificuldades.

No quesito atendimento, os mais velhos odeiam ser um número. Querem tratamento diferenciado, personalizado, alguém treinado para ouvi-los e que os trate como indivíduos, coisas cada vez mais raras no varejo de hoje. Além disso, em termos de lojas, produtos e marcas, não as valorizam pelo prestígio social que trazem. Querem algo autêntico, que os ajude a ser alguém. Poucas marcas podem pleitear esse lugar no mercado hoje em dia.

Em poucas palavras, o potencial dos consumidores mais velhos é grande mas quase ninguém está preparado para atendê-los.

Maurício Morgado,
professor da FGV-Eaesp, especialista em Marketing e Varejo.

NRF 2012: novos aprendizados e velhas constatações (1/7)

Maurício Morgado

A convenção da NRF (National Retail Federation), na sua edição 101, aconteceu nos dias 15 a 18 de janeiro de 2012. Havia dois anos que a convenção da NRF mostrava sinais de desânimo. O desempenho da economia norte-americana não ajudava e o tom de lamúria batia forte. Nesse ano, as coisas foram diferentes, o ânimo voltou, ainda que com cautela, e pudemos ver um certo otimismo no ar. A própria NRF reporta que 2012 foi um ano de quebra de recordes, com mais de 25.500 participantes de 78 países, dos quais cerca de 1.500 brasileiros, o maior grupo de estrangeiros da feira, na frente até do Canadá, bem mais perto de Nova Iorque do que para nós, convenhamos.

Mas, afinal, quais foram os grandes aprendizados e as principais discussões desse ano? Agrupei minhas impressões gerais em 7 grandes blocos, que serão postados em 7 vezes sem juros no meu blog:

  • Interdependência e globalização
  • Brasil, a bola da vez
  • Capitalismo consciente
  • Sustentabilidade
  • Techo-commerce
  • O papel da loja física
  • Velhas constatações, uma espécie de resumo do aprendizado das 12 últimas NRF´s que frequentei.

Boa leitura!

Interdependência e globalização

A palestra do presidente Bill Clinton foi a grande atração desse ano. Muito admirado em seu país e recebido em pé pela audiência, reforçou o potencial gerador de empregos do varejo e apresentou seus pensamentos acerca do que podemos chamar de interdependência e globalização. Carismático e com uma capacidade ímpar de simplificar assuntos complexos, Clinton lembrou a audiência que nesses tempos de globalização, com economias entrelaçadas e com o dinheiro se movimentando literalmente na velocidade da luz, temos (nós, a humanidade) grandes desafios a superar. Se por um lado nunca fomos tão ricos e prósperos, por outro esse nosso jeito de viver nos traz três grandes problemas:

Instabilidade: Com muita informação disponível, os agentes econômicos mudam suas apostas de uma hora para outra, balançando governos, desestabilizando moedas e criando incertezas como as que assolam a zona do euro ultimamente.

Desigualdade: Enquanto os países pobres lidam com escassez de recursos e lutam por construir seus sistemas políticos, econômicos, de saúde, transporte e previdência privada, os países mais ricos enfrentam a necessidade de reformar os seus, os quais já se mostram insustentáveis no longo prazo. Grandes desafios demandantes de conversas e negociações complexas.

Sustentabilidade: Paradoxalmente, enquanto os pobres resolvem seus problemas e ascendem economicamente, outra questão surge: não haverá planeta para sustentar esse novo patamar de consumo. Como lidar com o aquecimento global, com a escassez de combustíveis e matérias-primas e com a destruição dos habitats naturais da fauna e flora mundiais?

Ainda sobre a fala do Sr. Clinton, a menção que fez ao Brasil sobre como temos conduzido negociações com respeito às opiniões alheias e contraditórias, colocando potenciais inimigos à mesma mesa para discutir e buscar consenso, além do respeito que temos demonstrado por nossa biodiversidade e recursos naturais, fez os brasileiros interromperem sua fala para aplaudi-lo. Um belo momento verde e amarelo.

Meias descombinadas. E é só o começo para a LittleMismatched.

A LittleMissMatched foi uma das sensações da NRF esse ano.  O seu presidente e fundador, Jonah Staw, fez uma palestra lá e, bem, foi um sucesso. Já com 7 endereços, um deles em Downtown Disney, quem poderia imaginar que uma loja que começou vendendo meias descasadas – isso mesmo, um pé é diferente do outro – provocasse tanto frisson? Simplesmente por que é diferente, é criativo, sai fora da caixa e, como todo mundo na NRF dizia, faz você pensar porque VOCÊ não teve essa idéia antes…

Ao que tudo indica, as meias descasadas foram somente o começo. No site da empresa já é possível comprar roupa de cama, pijamas, livros, bolsas e sandálias, tudo descasado. Mas, visite o site, é um descasado com muito charme. Vale a pena.

Veja algumas fotos que selecionei da minha visita à loja da Quinta Avenida, em Nova Iorque.

AMERICANAS E CASA&VÍDEO PODEM PASSAR LUIZA

Segue texto no O Globo de hoje com minha análise sobre o possível casamento.

Boa leitura.

(:)

Operação seria de R$ 910 milhões, segundo fonte. Especialistas ressaltam que negócio pode trazer riscos

Fabiana Ribeiro, Bruno Villas Bôas e Ronaldo D’Ercole

As Lojas Americanas terão de pagar, no mínimo, R$ 910 milhões pela compra da Casa&Video, revelou ontem uma fonte envolvida nas negociações entre as empresas.

As conversas entre as duas empresas já começaram, mas o acordo pode não sair este ano. Alguns analistas lembram que há risco no negócio, mas há quem observe que, comprando a Casa&Video, as Lojas Americanas ultrapassariam a Magazine Luiza.

— Com a aquisição, as Lojas Americanas deixariam para trás a Magazine Luiza, cada vez mais isolada no setor de varejo — afirmou Cláudio Goldberg, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Segundo analistas, as Lojas Americanas buscam com a possível compra da Casa&Video acompanhar o processo de consolidação do varejo brasileiro. No ano passado, Pão de Açúcar adquiriu o Ponto Frio e está em processo de fusão com as Casas Bahia. Já a Ricardo Eletro e a Insinuante uniram as operações.

— As Lojas Americanas compraram a Blockbuster em 2007 e, desde então, ficaram fora do processo de consolidação do setor. A Casa&Video é uma opção para ganhar força — afirma Rafael Cintra, analista de varejo da Link Investimentos.

Alguns analistas, contudo, consideram que um acordo pode se tornar uma operação de risco.

— A Casa&Video não será vendida por um valor abaixo de 70% da sua venda anual, de R$ 1,3 bilhão. Hoje, com a reestruturação judicial, a varejista está com custos menores e com processos mais eficientes — disse a fonte, acrescentando que a rede reduziu o número de funcionários de seis mil para cerca de 3.500.

Mas a dívida da companhia — de R$ 235 milhões — é um ponto de dúvida para muitos analistas.  O total pode ser pago em até dez anos, com carência de mais três.

Segundo analistas, a Casa&Video é livre de qualquer contingência e passivo da antiga rede, ficando responsável apenas pelo pagamento da dívida reestruturada com fornecedores e bancos. Não há dívidas trabalhistas.

Vale lembrar que, em novembro de 2009, foi concluído o encerramento das atividades da antiga Casa&Video.

— É uma operação de risco para as Lojas Americanas, já que a empresa também tem certo nível de endividamento. Além disso, a gestão da Casa&Video é bem diferente da das Lojas Americanas, que são mais profissionais.

É preciso olhar muito os números da empresa para não ter surpresas — disse Goldberg.

— Essa transação pode trazer dívidas sobre as dívidas já existentes das Lojas Americanas.

Um acordo entre as varejistas tem de fechar numa equação positiva. Se não, é algo arriscado — disse um analista de mercado.

Para especialistas, o acordo entre as partes poderia garantir à compradora uma forte redução nos custos. Cerca de 50% dos fornecedores e 50% dos produtos da Casa&Video são os mesmos dos das Lojas Americanas. A união, dizem, daria fôlego à expansão desta última. Afinal, ganharia mais cerca de 70 lojas, e isso mesmo que os imóveis não sejam necessariamente da Casa&Video.

Para analista, ‘namoro’ não está pesando sobre ações Para especialistas, o objetivo das Lojas Americanas seria colocar uma bandeira forte no segmento tradicional do varejo de eletroeletrônicos e móveis, onde reinam redes como Casas Bahia, Ponto Frio e Ricardo Eletro, entre outras.

— A Casa&Video é de longe mais atraente ao consumidor carioca que as Americanas — observa Jaime Troiano, presidente do Grupo Troiano de Branding, que ainda vê ganhos operacionais na união. — São duas marcas que falam línguas próprias, mas que juntas atenderiam a uma demanda muito mais abrangente.

Maurício Morgado, professor do Centro de Excelência em varejo da FGV, classificou a união das redes como um casamento estranho.

— É difícil ver sinergia entre as duas marcas. Americanas e Casa&Video são negócios com formatos diferentes. Então, o negócio se justificaria como uma estratégia de multicanais, com as Americanas ganhando uma marca forte no varejo tradicional de eletroeletrônicos, segmento em que já são líderes no varejo on-line, com Submarino.
com e Americanas.com.

Ontem, as ações PN (preferenciais, sem direito a voto) das Lojas Americanas chegaram a recuar 1,81% pela manhã, mas fecharam o dia em queda de 0,91%.

Cintra não acredita que o “namoro” esteja se refletindo nos papéis das Lojas Americanas negociados na Bolsa de Valores de São Paulo. Segundo ele, não há ainda detalhes sobre a operação, e o comunicado das Lojas Americanas deixou claro que as negociações são preliminares.

Fonte:   O Globo – RJ – 01/07/2010

Inovação: as 13 respostas do varejo

Tive a honra de ter sido convidado para escrever na edição de número um da revista NO VAREJO. Confira a seguir o início do artigo e depois clique para ver a versão completa.

Afinal de contas, o que é inovação? A palavra anda meio desgastada ultimamente. Já vi chamarem de inovação até novos sabores de produtos alimentícios – e olha que eram sabores muito esquisitos. Além do lado da novidade, a inovação tem de ser relevante para o consumidor, tem de resolver ou ajudar sua vida, mudá-la em algum aspecto, de preferência para melhor. Se isso não acontecer, não faz sentido investir em inovação. O retorno não vem. No varejo, a inovação mais fácil de acontecer é a que vem nos conceitos (ou formatos) de loja, ou seja, o varejista oferece um “pacote” que transmite uma certa mensagem a um certo tipo de cliente, que a decodificada e, de preferência, aprecia. O Starbucks é um exemplo de sucesso desse “empacotamento”.

Mas a inovação também pode se dar nos processos, na forma de trabalhar e conduzir os negócios. O fenômeno do fast-fashion, com a Zara como seu ícone máximo, é, sem dúvida, uma inovação em processos muito bem recebida pelo cliente. A futura e esperada implementação do RFID, as etiquetas inteligentes que, por radiofreqüência “falam” onde os produtos estão, também poderá ser um exemplo de inovação em processos que trarão grandes benefícios aos consumidores.

Afinal, quais são as inovações que têm surgido no varejo? Devidamente explicadas por movimentos de mercado, seguem as 13 principais correntes de inovação no varejo.

(clique para ler sobre as treze tendências…)