AMERICANAS E CASA&VÍDEO PODEM PASSAR LUIZA

Segue texto no O Globo de hoje com minha análise sobre o possível casamento.

Boa leitura.

(:)

Operação seria de R$ 910 milhões, segundo fonte. Especialistas ressaltam que negócio pode trazer riscos

Fabiana Ribeiro, Bruno Villas Bôas e Ronaldo D’Ercole

As Lojas Americanas terão de pagar, no mínimo, R$ 910 milhões pela compra da Casa&Video, revelou ontem uma fonte envolvida nas negociações entre as empresas.

As conversas entre as duas empresas já começaram, mas o acordo pode não sair este ano. Alguns analistas lembram que há risco no negócio, mas há quem observe que, comprando a Casa&Video, as Lojas Americanas ultrapassariam a Magazine Luiza.

— Com a aquisição, as Lojas Americanas deixariam para trás a Magazine Luiza, cada vez mais isolada no setor de varejo — afirmou Cláudio Goldberg, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Segundo analistas, as Lojas Americanas buscam com a possível compra da Casa&Video acompanhar o processo de consolidação do varejo brasileiro. No ano passado, Pão de Açúcar adquiriu o Ponto Frio e está em processo de fusão com as Casas Bahia. Já a Ricardo Eletro e a Insinuante uniram as operações.

— As Lojas Americanas compraram a Blockbuster em 2007 e, desde então, ficaram fora do processo de consolidação do setor. A Casa&Video é uma opção para ganhar força — afirma Rafael Cintra, analista de varejo da Link Investimentos.

Alguns analistas, contudo, consideram que um acordo pode se tornar uma operação de risco.

— A Casa&Video não será vendida por um valor abaixo de 70% da sua venda anual, de R$ 1,3 bilhão. Hoje, com a reestruturação judicial, a varejista está com custos menores e com processos mais eficientes — disse a fonte, acrescentando que a rede reduziu o número de funcionários de seis mil para cerca de 3.500.

Mas a dívida da companhia — de R$ 235 milhões — é um ponto de dúvida para muitos analistas.  O total pode ser pago em até dez anos, com carência de mais três.

Segundo analistas, a Casa&Video é livre de qualquer contingência e passivo da antiga rede, ficando responsável apenas pelo pagamento da dívida reestruturada com fornecedores e bancos. Não há dívidas trabalhistas.

Vale lembrar que, em novembro de 2009, foi concluído o encerramento das atividades da antiga Casa&Video.

— É uma operação de risco para as Lojas Americanas, já que a empresa também tem certo nível de endividamento. Além disso, a gestão da Casa&Video é bem diferente da das Lojas Americanas, que são mais profissionais.

É preciso olhar muito os números da empresa para não ter surpresas — disse Goldberg.

— Essa transação pode trazer dívidas sobre as dívidas já existentes das Lojas Americanas.

Um acordo entre as varejistas tem de fechar numa equação positiva. Se não, é algo arriscado — disse um analista de mercado.

Para especialistas, o acordo entre as partes poderia garantir à compradora uma forte redução nos custos. Cerca de 50% dos fornecedores e 50% dos produtos da Casa&Video são os mesmos dos das Lojas Americanas. A união, dizem, daria fôlego à expansão desta última. Afinal, ganharia mais cerca de 70 lojas, e isso mesmo que os imóveis não sejam necessariamente da Casa&Video.

Para analista, ‘namoro’ não está pesando sobre ações Para especialistas, o objetivo das Lojas Americanas seria colocar uma bandeira forte no segmento tradicional do varejo de eletroeletrônicos e móveis, onde reinam redes como Casas Bahia, Ponto Frio e Ricardo Eletro, entre outras.

— A Casa&Video é de longe mais atraente ao consumidor carioca que as Americanas — observa Jaime Troiano, presidente do Grupo Troiano de Branding, que ainda vê ganhos operacionais na união. — São duas marcas que falam línguas próprias, mas que juntas atenderiam a uma demanda muito mais abrangente.

Maurício Morgado, professor do Centro de Excelência em varejo da FGV, classificou a união das redes como um casamento estranho.

— É difícil ver sinergia entre as duas marcas. Americanas e Casa&Video são negócios com formatos diferentes. Então, o negócio se justificaria como uma estratégia de multicanais, com as Americanas ganhando uma marca forte no varejo tradicional de eletroeletrônicos, segmento em que já são líderes no varejo on-line, com Submarino.
com e Americanas.com.

Ontem, as ações PN (preferenciais, sem direito a voto) das Lojas Americanas chegaram a recuar 1,81% pela manhã, mas fecharam o dia em queda de 0,91%.

Cintra não acredita que o “namoro” esteja se refletindo nos papéis das Lojas Americanas negociados na Bolsa de Valores de São Paulo. Segundo ele, não há ainda detalhes sobre a operação, e o comunicado das Lojas Americanas deixou claro que as negociações são preliminares.

Fonte:   O Globo – RJ – 01/07/2010

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